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Os grão-capitães by Jorge de Sena
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Os grão-capitães

by Jorge de Sena

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==As Ites e o Regulamento== (4*)
Uma noite de tempestade, pesadelo, sofrimento, na vida de um recruta do curso de oficiais milicianos de Penafiel, atormentado, entorpecido, enevoado, por uma faringite (ou sinutiste, otite ou outra ite qualquer) que termina surpreendentemente, em frente da porta do rígido capitão Carvalho, um adepto feroz do Regulamento.

==Capangala Não Responde== (4*)
Durante a guerra colonial em Angola, três soldados ficam isolados na mata, rodeados pelo inimigo. O medo da morte, solta confissões e a agressividade masculina, que leva à provocação machista, de carácter fortemente sexual e homofóbico, e à violência física.

==O Bom Pastor== (3*)
Um rapaz de uma família miserável de Gaia, vítima de violência doméstica e abuso sexual pelo padrasto, apresenta-se no quartel do Bom Pastor para o serviço militar. Mas até a tropa lhe é madrasta e, após uma altercação com outros recrutas, magro, débil e esfomeado, dá entrada na enfermaria para ser de seguida desmobilizado sem compaixão.

==Choro de Criança== (5*)
Um homem cansado vagueia pela noite da cidade do Porto, escura e húmida, miserável, imunda e fétida. Chegam-lhe os ruídos da noite, propagando-se e ecoando pelas paredes e muros da cidade, nas margens do rio invisível: um choro de criança, um sem-abrigo que se ergue de um monte de trapos, o tchum-tá-tum-tum-tchá de um comboio que passa. Por detrás de um portão entreaberto de ferro enferrujado, ouve os sussurros abafados de duas vozes masculinas e, pouco depois, um homem e um rapaz saem cautelosamente, olhando à volta. O rapaz vê-o e pede-lhe lume…
"Choro de Criança" é um admirável conto negro: os sons, os cheiros (os maus-cheiros), a miséria, o lixo, as dores, a sexualidade pulsante e desprovida de sentimento, a impotência, o desespero, são um cenário chocante para o deambular noturno do narrador pelas ruas mais escusas do Porto. O desenlace é, também ele, negro, mas o frescor da manhã que chega e o respirar tranquilo e ritmado do seu companheiro de quarto, acalma e serena o narrador (e o leitor!).

==Boa Noite== (5*)
Boa noite é um conto em quatro atos, surpreendente pela sua densidade e pela profundidade da construção do seu personagem principal. No primeiro ato, os devaneios noturnos de um homem no seu quarto de umas águas-furtadas de Lisboa são interrompidos pela chegada do seu colega de quarto (e de divã) com uma prostituta que, estranhando a situação com que se depara, pergunta se está a mais. No segundo, descobrimos que o homem tem 32 anos e é, na verdade, um artista, um intelectual, um surrealista que cita Botto e Breton, que especula sobre as vantagens do sexo entre homens e discute o natural, o vício, a convenção social e a assunção do desejo (“A beleza não existe, e quando existe não dura. A beleza não é mais que o desejo premente que nos sacode… O resto, é literatura.”), tudo para impressionar um jovem e belo rapaz louro de 18 anos, que acaba por conseguir atrair ao seu quarto da mansarda. É outra vez de noite, no terceiro ato, quando o artista se gaba, exagerando, perante os amigos, à volta de uma mesa de café, das suas aventuras com o rapaz louro. Finalmente, no quarto ato, o rapaz, ainda mal refeito da experiência com o surrealista, mas sem conseguir deixar de pensar nele, deixa-se cair num banco da Avenida da Liberdade, onde é abordado por uma prostituta que o arrasta consigo com alguma dificuldade, sem lhe conseguir afastar as dúvidas sobre a natureza da sua sexualidade.

==A Grã-Canária== (4*)
Os cadetes acordam nas camaratas, estremunhados, ao som do clarim. O navio vai dar entrada no porto de Las Palmas da Grã-Canária. O comandante quer apresentar-se impecável, em representação de Portugal, face a uma Espanha mergulhada em guerra civil, e na sua voz de falsete ordena: “A ordem é: lavar o navio, lavar as ventas e lavar a roupa.” Bem recebidos pelas autoridades locais, onde se misturam as sotainas negras dos padres e os “Arriba España” franquistas de braço erguido, os oficiais e cadetes são levados para um almoço demorado na encosta da montanha. Ao anoitecer, ainda enjoados do banquete mas por fim livres, procuram alívio para outra sede maior, a do desejo sexual acumulado pela longa travessia marítima.
A passagem de Jorge de Sena pela Marinha, de onde foi excluído após uma viagem no navio-escola Sagres, parece ter servido ao autor de inspiração para este conto. As razões para a exclusão nunca foram divulgadas: Mécia de Sena considera que foram de natureza política, enquanto Arnaldo Saraiva indica a falta de destreza física e militar, embora referindo que em Lisboa corriam “boatos” que falavam da suposta homossexualidade do autor. Neste conto, curiosamente, surge relatado um episódio em que o narrador e dois dos seus melhores amigos cadetes são insultados como “paneleiros” e “comunistas”; o autor do insulto será, posteriormente e já a bordo do navio, alvo de violenta agressão pelo Bravo, um dos insultados, que o amarra e viola, só sendo dominado pelos amigos, “arquejante, com espuma nos lábios, de sexo em riste, (…) rugindo ainda entre os dentes cerrados: - Seu leproso, seu filho da puta, quem é que é comunista?” ( )
  jmx | Jun 20, 2017 |
C'est un recueil de nouvelles qui ont toutes pour toile de fond le Portugal de Salazar, dans les années trente ou quarante. L'auteur explique en préface qu'il a vécu toutes ces histoires ou rencontré ceux qui les ont vécues et qu'il ne les a que très peu transformées pour les écrire.
La première est l'histoire d'un petit garçon dont le père, capitaine au long cours ne revient que pour se disputer violemment avec la mère. Cette mère elle-même ne donne pas à l'enfant l'amour dont il a besoin et celui-ci a pour seul confident et complice un perroquet.
Les autres nouvelles ont pour la plupart pour personnage central de jeunes hommes pauvres faisant leur service militaire. La misère physique et morale de ces jeunes appelés est décrite dans une langue qui m'a paru à la fois belle et complexe même lorsque j'ai relu certaines nouvelles en français après les avoir lues en portugais. Le thème de la sexualité vécue dans l'insatisfaction, l'absence d'amour et la souffrance est omniprésent. ( )
  vie-tranquille | Apr 25, 2012 |
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