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Mário de Andrade (1) (1893–1945)

Author of Macunaíma

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Legal name
Andrade, Mário Raul de Moraes
Birthdate
1893-10-09
Date of death
1945-02-25
Gender
male
Nationality
Brazil
Associated Place (for map)
Brazil

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Não há nada que eu possa dizer sobre Macunaíma que não tenha sido melhor dito umas quarenta vezes por pessoas muito mais articuladas e estudadas que eu. Tem livros que você lê, olha, fala, ‘é, isso é do grande caralho’ de forma abstrata. Dá pra absorver uma obra de arte sem que, por qualquer triste motivo, cê tenha sido extremamente tocado, como já fui e quis wax poetical por palavras a fio sobre x livro. É extremamente provável que timing seja uma questão central e o show more timing de vida de ficar doente logo após ler o livro, de estar meio questionando minhas escolhas, etc, não me ajude a ter cabeça pra me embeber na obra, que se não é gigante, é densa. De qualquer forma, esse exercício especulativo não vai me fazer nada além de fomentar a culpa que reside em mim, e disso estou farto.
Macunaíma é um livro intraduzível, absolutamente inviável em qualquer outra língua que não seja o português brasileiro. É óbvio que o próprio objetivo dos modernistas, que Mário de Andrade representa tão bem, é essencialmente fechado para nós mesmos. Criar uma literatura que seja verdadeiramente nossa, e não inspirada nos modelos europeus (como fez o Romantismo anteriormente), e que incorpore características da nossa oralidade, implica criar livros que são inacessíveis à tradução. O jogo sonoro, a absorção de expressões e vocabulários das matrizes africanas e indígenas, então, selam o destino do livro como obra possível apenas e tão somente para nós. Se por um lado isso é uma oportunidade única, por outro implicam na existência de uma série de mundos que são inalcançáveis para nós, enquanto não cidadãos de inúmeros países. É um trabalho árduo que nem ser hiperpoliglota garante. O tempo escorre por minhas mãos.
Filho do silêncio, Macunaíma nasce sem pai, feio. Precoce, não fala por preguiça, mas já se interessa por mulheres aos seis anos. Mário é muito enfático ao dizer que não pretendia que seu livro fosse lido como uma ‘alegoria’ ou coisa do tipo, o que parece demais algo que fariam hoje em dia, uma parábola da colonização ou coisa do tipo. O escritor é profundamente interessado no Brasil e cria um herói negro filho de índigenas que em certo ponto torna-se branco. A obra é tecida por capítulos curtos que acabam sendo quase fábulas isoladas em si, mas sem o objetivo explícito de ser uma explicação para as expressões brasileiras ou uma origem lendária de nossas frutas. Acontece de vez em quando de forma explícita, ‘por isso que se fala x’, mas não parece ser o objetivo formal do livro. Em busca de seu talismã perdido (muiraquitã), dado pela mãe do Mato, Ci, Macunaíma empreende uma viagem até São Paulo para reavê-la de Venceslau Pietro Pietra, colecionador. Ele também é o gigante Piaimã, e o livro se desenrola sob essa trama de reaver a tal muiraquitã, que é na verdade a joia mais valiosa da coleção do gigante. É um episódio que fala tanto sobre o destino da arte, que perde o valor funcional para tornar-se algo inútil numa coleção/museu, quanto do efeito da colonização, rapinando os bens indígenas para vendê-los e exibi-los. Eventualmente, Macunaíma triunfa, mas já não é mais o mesmo, e não se sente em casa nem na cidade, nem nas terras virgens em que vivia. Cansado e ludibriado por Vei, a Sol, ele decide virar uma estrela e brilhar inutilmente. O herói sem caráter, tanto pela sua falta de moralidade (ele é totalmente piroca) quanto pela falta de característica que o defina, Macunaíma é incapaz de se ater à um projeto, uma definição, e nisso representa o brasileiro. Mário é explícito em dizer tanto que o brasileiro não tem ainda caráter definido, isto é, é um povo ainda sem uma estrutura definida, fruto de um processo sociológico único que amalgamou muitas culturas em uma e criou um povo novo (versus a transplantação do povo inglês pros EUA no começo de sua colonização), mas alude que essa malandragem, essa imoralidade de Macunaíma, também nos representa bem. E representa mesmo. Tenho que ver o filme com o Grande Otelo.
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Imaginar que Macunaíma tem 100 anos é incrível. Uma visão profunda, sarcástica e precisa do Brasil e dos brasileiros. Engana-se quem acha que pode ser lido facilmente por jovens de hoje pois o vocabulário, as citações implícitas, o sarcasmo que aponta para outras obras e história da época, tornam a leitura deliciosa para leitores maduros mas penosa para quem apenas segue a história surrealista do herói.
Mário de Andrade é um ícone da literatura nacional, apontado como um dos maiores autores brasileiros de todos os tempos. Por isso, conhecer um pouco de sua obra é fundamental a qualquer leitor. Nesta adaptação cuidadosamente feita em HQ, a essência da linguagem e dos enredos de quatro de seus contos foram preservadas e adaptadas com rigor e fidelidade. A seleção inclui o conto "Peru de Natal", "Vestida de preto" (ambos extraídos de Contos novos), "Será o Benedito!" (publicado em show more um jornal da época) e "Caim, Caim e o resto" (extraído do livro Os contos de Belazarte). Seguindo a proposta dessa coleção, este livro traz ainda excertos e pequenos textos dos mais variados gêneros produzidos pelo autor, brindando os leitores com uma apanhado sucinto da obra de Mário, tão grandiosa e moderna, e que merece ser conhecida em sua totalidade. show less
Personagem-título, um herói sem nenhum caráter (anti-herói), é um índio que representa o povo brasileiro, mostrando a atração pela cidade grande de São Paulo e pela máquina. A frase característica da personagem é "Ai, que preguiça!". Como na língua indígena o som "aique" significa "preguiça", Macunaíma seria duplamente preguiçoso. A parte inicial da obra assim o caracteriza: "No fundo do mato-virgem nasceu Macunaíma, herói de nossa gente. Era preto retinto e filho do medo show more da noite." show less

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