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Sharon Kinsella is Lecturer in Japanese Studies at the University of Manchester, UK.

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Um estudo brilhante e pormenorizado, com estatísticas, trabalho de campo e ampla bibliografia, além de ideias interessantes, sobre colegiais japonesas da segunda metade da década de 90, em meio à criação e consolidação do falso-fenômeno social dos "encontros compensados". Aqui o importante é mostrar como a ideia de que garotas ainda frequentadoras da escola estarem ingressando em tipos de prostituição, sejam emancipatórios ou pseudo-emancipatórios, ao sair com salarymans show more (funcionários) e cobrar pelos encontros, acabou sendo fabricada. Primeiro porque tal fenômeno não tem comprovação estatística (pelo contrário). Segundo porque as pesquisas sociológicas e jornalísticas da época mais constróem o fenômeno e o reforçam do que atuam seriamente para desvendá-lo, e os inúmeros furos metodológicos são patentes. Terceiro porque há uma conexão psicológica muito provável com uma espécie de inversão do tema do pagamento das mulheres de conforto utilizadas pelo Japão em incursões militares; as colegiais acabaram sendo uma figura invertida das prostitutas sofridas e abusadas que causavam vergonha nacional (Kinsella mostra também como isso não é um dado simples, mas problemático, tumultuoso, subterrâneo). Quarto e muito importantemente porque as próprias colegiais não tinham voz para expressarem-se; não tinham espaço na mídia ou na sociedade para colocar suas questões ou ainda para, se não tivessem questões, desenvolvê-las: elas acabaram muitas vezes surfando na onda, tanto de modo criativo como nem tanto. E isso Kinsella mostra muito contundentemente: como a mídia, do jornalista e dos políticos (normalmente de direita) que querem demonizar a sexualidade feminina, até os intelectuais e artistas (normalmente de esquerda) que projetam nas garotas uma figura heróica e um futuro mais emancipador, como todos eles são homens. Como isso é problemático e envolve uma versão sofisticada do tema do lugar de fala. Por fim, a autora conecta, junto a ansiedades japonesas quanto a questões raciais e especialmente quanto à moda colegial do Ganguro, esses fenômenos com fenômenos envolvendo racismo nos EUA, notadamente a prática do blackface. A ideia não é usar uma visão rala do fenômeno mas traçar como certas projeções de desejo sexual e comportamento estereotipado são estruturalmente parecidas. Que o Japão também operou em parte uma racialização dessas garotas, sexualizando sua figura e imaginando-as simbolicamente tanto como selvagens e perigosas, como frágeis mas heróicas. show less
Um excelente livro, com uma pesquisa extensa e detalhada acerca dos mangás adultos, quadrinhos japoneses, traçando a trajetória desta que é uma forma de expressão multivariada, subdividindo em vários gêneros e contextos de produção e consumo. Vai desde as controvérsias do início da forma de expressão, onde muitas vezes a influência marxista e de cultura do povo oprimido, bem como depois de componentes dos EUA é por vezes deixada de lado para enfatizar uma filiação nacional show more com as figuras do mundo flutuante. Passa pela sobrevalorização providencial do Osamu Tezuka, autor genial, mas menos político do que outros, a formação de revistas e posterior incorporação do mangá a um esquema industrial, culminando com o mangá empresarial de editor muito mais que de autor da década de 90, caracterizado por um combate ao que virá a ser o domínio mais otaku da década seguinte (posterior ao livro), usando narrativas edificadoras neo-liberais e quadrinhos pedagógicos, incluindo assuntos como "investimentos na bolsa de valores". Há por trás de toda essa trajetória a tese finalmente exposta na conclusão: uma sociedade que abafa parte de sua energia viva acaba por recair em problemas da incompreensão empresarial do criativo e de uma certa apatia ligada às formas de trabalho neo-liberais. Nisso Kinsella explora a indústria cultural yupie e seu combate à pornografia e tendências femininas (ainda aqui confundida com o que virá a ser chamado de otaku, o otaku 3 do Hiroki Azuma), concomitante ao fortalecimento da censura ao conteúdo dos mangás, tanto governamental como interna, simultânea aos esforços de transformar o mangá em cultura respeitável, nacional, representativa do Japão, com mais status mas por isso também mais controlada. O capítulo sobre o mangá amador, mangás de paródia, Yaoi e as Comiket (que chegaram a ser um dos maiores eventos sociais da época, com 250 mil visitas em 1991), indo da década de 80 à seguinte, com ampla participação feminina, é incrível e muito informativo, fornecendo contexto para muito o que aconteceu e se desdobrou na cultura otaku das décadas seguintes. show less

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