
Célia Correia Loureiro
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Iniciei a leitura com expectativas muito altas. Ainda não tinha lido qualquer obra da autora, mas li vários comentários na internet acerca deste livro e do anterior que me fizeram pensar que iria ler um livro de boa qualidade e, apesar de todos esses avisos acho que ainda não tinha a verdadeira noção do alcance que este livro iria ter. Ao ler a sinopse fiquei com a impressão de que seria quase como uma caça ao tesouro, que algo iria acontecer para que as irmãs acabassem por show more descobrir a verdade acerca da vida da sua mãe, o que não esperava era um livro que me iria deixar boquiaberta à medida que as paginas iriam passando por mim. A Célia não se limitou a escrever ou contar-nos esta história, ela “viveu-a” intensamente e por isso este livro acabou por se tornar tão especial para aqueles que já tiveram a oportunidade de o ler. Quantas e quantas vezes já disse que os talentos portugueses são deixados de lado em prol dos internacionais mais conhecidos? Creio que já o fiz tantas vezes que nem vale a pena contar, mas neste livro está a prova que o que é nacional é bom e que não devemos desprezar aquilo que temos tão perto e com tanta ou ainda mais qualidade do que aqueles bestsellers internacionais a que estamos tão habituados.
A autora trouxe-nos um livro cheio de acções humanas, de incidentes que podem acontecer a qualquer um nós e que muitas vezes calamos por orgulho ou vergonha. Apesar dos momentos tristes que acompanharam a trama, acabei por adorar a Carolina e o Lourenço, qual deles o mais infeliz, um por amar demais e outro por não conseguir ser mais forte que o seu orgulho. Foram pessoas que amaram demais, mas que não conseguiram viver o seu amor de forma satisfatória. Das três irmãs identifico-me mais com a Cecília, que é a mais sonhadora e idealista. Quantas vezes, ao longo do livro, me revi naquela personagem tonta que tenta desculpar tudo e todos pelos actos mais terríveis, apesar disso acabou por ser Inês a minha favorita. Desde o início do livro que me apercebi que algo de errado havia nela, que algo de muito terrível devia ter acontecido para se tornar um alguém tão revoltado com a vida, uma das cenas mais divertidas acabou por ser quando João Pedro entra em casa de Cecília e eles reencontram-se finalmente. Desde que se conheceram que eu esperava por algo assim. Imperdível.
Claro que nem o livro mais vendido do mundo é perfeito e por isso tenho também de assinalar algo que, na minha opinião poderia ser melhorado. Achei que em muitas situações os diálogos eram poucos. Quer dizer, depois de terminar a leitura do livro apercebi-me que talvez nem fossem necessários esses diálogos extra, pois na sua totalidade estava uma história muito completa. O problema é que, conforme vamos lendo vai-se sentido uma falta imensa de diálogo ao longo de uma narração dos eventos tão comprida.
Para concluir quero dar os parabéns à Célia Loureiro pelo livro fantástico que escreveu e também à editora Alfarroba pela determinação em apostar naquilo que é português.
Já agora deixo-vos um excerto que me tocou bastante, espero que gostem:
“Depois, inesperadamente, os lábios do pai curvaram-se num sorriso que lhe transmitiu esperança, mas que era dirigido ao corpo da mãe e não para si. O pai sorria à mãe, mas ela não via. Talvez tivesse sido assim desde sempre. (...) Ocorreu-lhe que, talvez, durante todo aquele tempo, o pai tivesse sorrido à mãe sem que ela visse, e vice-versa.”
http://viv-omundoencantadodoslivros.blogspot.pt/2012/11/alfarrobaopiniao-o-funer... show less
A autora trouxe-nos um livro cheio de acções humanas, de incidentes que podem acontecer a qualquer um nós e que muitas vezes calamos por orgulho ou vergonha. Apesar dos momentos tristes que acompanharam a trama, acabei por adorar a Carolina e o Lourenço, qual deles o mais infeliz, um por amar demais e outro por não conseguir ser mais forte que o seu orgulho. Foram pessoas que amaram demais, mas que não conseguiram viver o seu amor de forma satisfatória. Das três irmãs identifico-me mais com a Cecília, que é a mais sonhadora e idealista. Quantas vezes, ao longo do livro, me revi naquela personagem tonta que tenta desculpar tudo e todos pelos actos mais terríveis, apesar disso acabou por ser Inês a minha favorita. Desde o início do livro que me apercebi que algo de errado havia nela, que algo de muito terrível devia ter acontecido para se tornar um alguém tão revoltado com a vida, uma das cenas mais divertidas acabou por ser quando João Pedro entra em casa de Cecília e eles reencontram-se finalmente. Desde que se conheceram que eu esperava por algo assim. Imperdível.
Claro que nem o livro mais vendido do mundo é perfeito e por isso tenho também de assinalar algo que, na minha opinião poderia ser melhorado. Achei que em muitas situações os diálogos eram poucos. Quer dizer, depois de terminar a leitura do livro apercebi-me que talvez nem fossem necessários esses diálogos extra, pois na sua totalidade estava uma história muito completa. O problema é que, conforme vamos lendo vai-se sentido uma falta imensa de diálogo ao longo de uma narração dos eventos tão comprida.
Para concluir quero dar os parabéns à Célia Loureiro pelo livro fantástico que escreveu e também à editora Alfarroba pela determinação em apostar naquilo que é português.
Já agora deixo-vos um excerto que me tocou bastante, espero que gostem:
“Depois, inesperadamente, os lábios do pai curvaram-se num sorriso que lhe transmitiu esperança, mas que era dirigido ao corpo da mãe e não para si. O pai sorria à mãe, mas ela não via. Talvez tivesse sido assim desde sempre. (...) Ocorreu-lhe que, talvez, durante todo aquele tempo, o pai tivesse sorrido à mãe sem que ela visse, e vice-versa.”
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Bem, é espectacular como 24 páginas podem ser mais intensas que muitos romances de 300.
'Cinzas e Neve' é a minha estreia com a autora Célia Correia Loureiro, apesar de 'Demência' já estar na lista TBR há algum tempo.
Nesta short-story acompanhamos um encontro de Cristina e Henrique, com um passado em comum. É um encontro intenso, e que deixa um nó na garganta. A escrita flui naturalmente, com uma linguagem acessível e ao mesmo tempo poética.
Dei por mim a querer o 'capítulo' show more seguinte, gostei muito! :) show less
'Cinzas e Neve' é a minha estreia com a autora Célia Correia Loureiro, apesar de 'Demência' já estar na lista TBR há algum tempo.
Nesta short-story acompanhamos um encontro de Cristina e Henrique, com um passado em comum. É um encontro intenso, e que deixa um nó na garganta. A escrita flui naturalmente, com uma linguagem acessível e ao mesmo tempo poética.
Dei por mim a querer o 'capítulo' show more seguinte, gostei muito! :) show less
Iniciei a leitura com expectativas muito altas. Ainda não tinha lido qualquer obra da autora, mas li vários comentários na internet acerca deste livro e do anterior que me fizeram pensar que iria ler um livro de boa qualidade e, apesar de todos esses avisos acho que ainda não tinha a verdadeira noção do alcance que este livro iria ter. Ao ler a sinopse fiquei com a impressão de que seria quase como uma caça ao tesouro, que algo iria acontecer para que as irmãs acabassem por show more descobrir a verdade acerca da vida da sua mãe, o que não esperava era um livro que me iria deixar boquiaberta à medida que as paginas iriam passando por mim. A Célia não se limitou a escrever ou contar-nos esta história, ela “viveu-a” intensamente e por isso este livro acabou por se tornar tão especial para aqueles que já tiveram a oportunidade de o ler. Quantas e quantas vezes já disse que os talentos portugueses são deixados de lado em prol dos internacionais mais conhecidos? Creio que já o fiz tantas vezes que nem vale a pena contar, mas neste livro está a prova que o que é nacional é bom e que não devemos desprezar aquilo que temos tão perto e com tanta ou ainda mais qualidade do que aqueles bestsellers internacionais a que estamos tão habituados.
A autora trouxe-nos um livro cheio de acções humanas, de incidentes que podem acontecer a qualquer um nós e que muitas vezes calamos por orgulho ou vergonha. Apesar dos momentos tristes que acompanharam a trama, acabei por adorar a Carolina e o Lourenço, qual deles o mais infeliz, um por amar demais e outro por não conseguir ser mais forte que o seu orgulho. Foram pessoas que amaram demais, mas que não conseguiram viver o seu amor de forma satisfatória. Das três irmãs identifico-me mais com a Cecília, que é a mais sonhadora e idealista. Quantas vezes, ao longo do livro, me revi naquela personagem tonta que tenta desculpar tudo e todos pelos actos mais terríveis, apesar disso acabou por ser Inês a minha favorita. Desde o início do livro que me apercebi que algo de errado havia nela, que algo de muito terrível devia ter acontecido para se tornar um alguém tão revoltado com a vida, uma das cenas mais divertidas acabou por ser quando João Pedro entra em casa de Cecília e eles reencontram-se finalmente. Desde que se conheceram que eu esperava por algo assim. Imperdível.
Claro que nem o livro mais vendido do mundo é perfeito e por isso tenho também de assinalar algo que, na minha opinião poderia ser melhorado. Achei que em muitas situações os diálogos eram poucos. Quer dizer, depois de terminar a leitura do livro apercebi-me que talvez nem fossem necessários esses diálogos extra, pois na sua totalidade estava uma história muito completa. O problema é que, conforme vamos lendo vai-se sentido uma falta imensa de diálogo ao longo de uma narração dos eventos tão comprida.
Para concluir quero dar os parabéns à Célia Loureiro pelo livro fantástico que escreveu e também à editora Alfarroba pela determinação em apostar naquilo que é português.
Já agora deixo-vos um excerto que me tocou bastante, espero que gostem:
“Depois, inesperadamente, os lábios do pai curvaram-se num sorriso que lhe transmitiu esperança, mas que era dirigido ao corpo da mãe e não para si. O pai sorria à mãe, mas ela não via. Talvez tivesse sido assim desde sempre. (...) Ocorreu-lhe que, talvez, durante todo aquele tempo, o pai tivesse sorrido à mãe sem que ela visse, e vice-versa.”
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A autora trouxe-nos um livro cheio de acções humanas, de incidentes que podem acontecer a qualquer um nós e que muitas vezes calamos por orgulho ou vergonha. Apesar dos momentos tristes que acompanharam a trama, acabei por adorar a Carolina e o Lourenço, qual deles o mais infeliz, um por amar demais e outro por não conseguir ser mais forte que o seu orgulho. Foram pessoas que amaram demais, mas que não conseguiram viver o seu amor de forma satisfatória. Das três irmãs identifico-me mais com a Cecília, que é a mais sonhadora e idealista. Quantas vezes, ao longo do livro, me revi naquela personagem tonta que tenta desculpar tudo e todos pelos actos mais terríveis, apesar disso acabou por ser Inês a minha favorita. Desde o início do livro que me apercebi que algo de errado havia nela, que algo de muito terrível devia ter acontecido para se tornar um alguém tão revoltado com a vida, uma das cenas mais divertidas acabou por ser quando João Pedro entra em casa de Cecília e eles reencontram-se finalmente. Desde que se conheceram que eu esperava por algo assim. Imperdível.
Claro que nem o livro mais vendido do mundo é perfeito e por isso tenho também de assinalar algo que, na minha opinião poderia ser melhorado. Achei que em muitas situações os diálogos eram poucos. Quer dizer, depois de terminar a leitura do livro apercebi-me que talvez nem fossem necessários esses diálogos extra, pois na sua totalidade estava uma história muito completa. O problema é que, conforme vamos lendo vai-se sentido uma falta imensa de diálogo ao longo de uma narração dos eventos tão comprida.
Para concluir quero dar os parabéns à Célia Loureiro pelo livro fantástico que escreveu e também à editora Alfarroba pela determinação em apostar naquilo que é português.
Já agora deixo-vos um excerto que me tocou bastante, espero que gostem:
“Depois, inesperadamente, os lábios do pai curvaram-se num sorriso que lhe transmitiu esperança, mas que era dirigido ao corpo da mãe e não para si. O pai sorria à mãe, mas ela não via. Talvez tivesse sido assim desde sempre. (...) Ocorreu-lhe que, talvez, durante todo aquele tempo, o pai tivesse sorrido à mãe sem que ela visse, e vice-versa.”
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