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abel botelho

Author of O Barão de Lavos

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Conta a história do Barão de Lavos (Sebastião), de origem nobre mas ramos "bastardos" (o que, a par de algumas outras características biográficas, "justificaria" as suas tendências homossexuais ou bissexuais), casado com Elvira (um casamento por conveniência: ele quer esconder as suas tendências sexuais, ela quer ascender na sociedade) e que se apaixona por Eugénio, um jovem efebo sem família, que aceita a sua "protecção" em troca de um tecto, dinheiro e outras mordomias.
Com o show more avançar da história o Barão vê-se cada vez mais "preso" a Eugénio, que aproveita-se disso em proveito próprio (exige cada vez mais dinheiro e bens materiais), acabando mesmo por se envolver sexualmente (e romanticamente?) com Elvira.

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O enredo está bem construído. Um barão, homem rico e mundano, casado com a burguesa Elvira para manter as convenientes aparências sociais, é em segredo um pervertido. O barão é um homossexual (não um pedófilo como afirma o autor) com preferência por adolescentes. Para não ficar longe do seu amante tanto tempo, o barão decide levá-lo a frequenta a sua casa. Aqui o autor exagerou a realidade por conveniência do enredo. Entretanto o barão descobre que o Câmara tentou roubar-lhe show more Eugénio, o seu amante. Como o Câmara também lhe corteja a baronesa, o barão serve-se deste pretexto para ofender o Câmara que em resposta o desafia para um duelo. No duelo o barão fica ferido e é tratado pela baronesa e pelo Eugénio que passa cada vez mais tempo na casa do barão. Como o barão não dá a Elvira a atenção de que carece uma mulher jovem e como Eugénio se sente atraído por ela e não tem qualquer pejo em cornear o barão, os dois tornam-se amantes. O barão desconfia e monta-lhes uma armadilha para os apanhar em flagrante.
A partir daqui o enredo perde coerência. Elvira e Eugénio são esquecido pelo autor que só volta a Elvira no último capítulo. O barão que começava a enfrentar dificuldades financeiras por causa das dádivas de Elvira a Eugénio (coisa estranha), fica à beira da ruína quando, após romper o casamento, as despesas que ele e Elvira faziam com Eugénio desaparecem. Mesmo assim vai passear seis meses pela Europa e no regresso ainda tem capital para montar um estúdio fotográfico luxuoso. De repente, o barão está na miséria, a viver da caridade dos amigos e doente, talvez com Parkinson. Mesmo naquele estado debilitado e na miséria, o barão prossegue a sua vida de deboche. Nas suas relações homossexuais passa de parceiro activo para parceiro passivo, passa de pagar por sexo a receber por sexo. Mas no estado lastimável em que o barão se encontrava, será que alguém desejava ter relações com ele? Temos o exemplo da Ema que o acha nojento e evita.
O que ao autor pretende é relacionar o declínio físico e social com a depravação moral. Neste aspecto o autor dá ao romance um intuito moralista. Para atingir esse objectivo descreve a homossexualidade como um vício, uma dependência que mais parece uma toxicodependência. O barão morre na rua, desprezado por todos, atingido por uma doença debilitante e na maior miséria. De Eugénio pouco sabemos, além de que parece tornar-se um actor de sucesso. Elvira por sua vez regressa ao amor da sua juventude, com quem não pode casar-se por impedimento dos pais que ambicionavam para a filha um casamento de outro nível social. O autor permite-lhe que Elvira seja feliz, pois considera que ela foi uma vítima dos vícios do marido e das ambições dos pais.
Para atingir o seu objectivo moral, o autor deturpa a linha do tempo. O barão que tinha pouco mais de trinta anos no início do romance, é um velho no final. A baronesa que tinha vinte e poucos, no final tem quarenta anos. Mas issso não é o pior do livro. Bem pior são as extensas descrições de lugares e as ainda mais extensas divagações sobre os estados de alma. Há capítulos inteiros em que nada acontece além de questões psicológicas na mente do barão. Portanto, se estas descrições fossem eliminadas, se a acção psicológica fosse reduzida ao estritamente necessário, se o romance fosse contado em metade das páginas, seria um grande romance, porque o tema é interessante e incómodo.
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Dec 14, 20251 other reviewPortuguese (Portugal)
Escrito em 1895-1896
Nov 23, 2025Portuguese (Portugal)

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