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O Delfim by José Cardoso Pires
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Mais do que o enredo em si, o que chama a atenção em “O Delfim”, de José Cardoso Pires, é a técnica narrativa, é o modo de narrar o desastre do Palma Bravo sem nome — simplesmente “o Engenheiro”.

Mas qual é a história?

O narrador - o próprio José Cardoso Pires —, também sem nome, chamado apenas de “caçador” ou “sr. Escritor”, retorna à Gafeira — localidade rural não muito distante de Lisboa — pretendendo participar da abertura da temporada de caça. Sim, caça de aves — patos, galeirões, cordonizes e outros tipos de emplumados que vivem na lagoa.

Mas, como disse, se trata de um retorno. Retorno porque o narrador já esteve no mesmo local, com a mesma finalidade, exatamente um ano antes.

E tudo no livro gira em torno desse retorno, dessa volta ao passado — recordação de pessoas e fatos que foram e mais não são.

O que motiva a recordação, no entanto, não é apenas a volta à Gafeira para uma nova temporada de caça na lagoa. É que, nesse meio tempo, ocorreu um desastre, verdadeira tragédia familiar. Domingos, serviçal do Engenheiro, foi encontrado morto na cama desse último. E Maria das Mercês, mulher do Palma Bravo, suicidou-se logo em seguida, afogando-se na lagoa. Tudo leva a crer que Domingos e Maria estavam dividindo a mesma cama quando, não se sabe bem como — e o narrador faz questão de não esclarecer —, Domingos teve um piripaque e partiu dessa para melhor.

O narrador-escritor-caçador toma pé desse fato assim que chega na Gafeira pela manhã. É um velho, o “velho cauteleiro”, coscuvilheiro malicioso, que o informa do acontecido.

A partir daí a narrativa ganha uma forma toda especial — e aqui o ponto alto do livro, na minha singela opinião.

Não é propriamente um flashback de tipo cinematográfico. É, na verdade, o esforço de recordação, de escavação da memória em busca de imagens, sensações, impressões, falas, conversas, paisagens, acontecimentos, pensamentos e detalhes dos mais variados que o narrador teria experimentado em seu contato — ainda que breve — com o Engenheiro, Maria das Mercês, Domingos e o próprio cenário da Gafeira com sua lagoa no ano anterior.

A narrativa construída por Cardoso Pires é maximamente realista. Todo esse conjunto de impressões vem à tona, não num bloco coeso e uniforme, mas fragmentariamente, em brumas, com lacunas, contornos fugidios e imprecisos.

Muitas vezes não fica totalmente claro se o narrador está se referindo ao presente, à sua segunda passagem pela Gafeira, ou se, pelo contrário, esta tratando de momentos vividos no ano anterior. Mas isso, passado um certo desconforto inicial na leitura, é rapidamente absorvido, não criando maiores obstáculos. Na verdade, esse detalhe faz com que a narrativa assuma maior realismo ainda, eis que é mesmo um esforço de rememoração, de retorno ao que foi experimentado um ano antes. E qualquer um de nós — é patrimônio comum — sabe que a memória quase sempre nos trai; que ela nunca nos entrega — a não ser em situações excepcionais — tudo exatamente o que queremos ou que precisamos.

Cardoso Pires desenha uma narrativa verossímil, realista, que transmite ao leitor a sensação de estar diante de um consciência que, em meio ao burburinho do ambiente em torno, forceja por recordar, relembrar, cenas e impressões a respeito de pessoas com as quais conviveu mas que, por força do destino, não estão mais aqui.

E Cardoso Pires faz isso — ponto importante para mim — sem cair, de um lado, na balbúrdia mental do fluxo de consciência, nem, por outro, na glossolalia existencialista.
Bom enredo, técnica narrativa interessantíssima, tudo realizado com arte, com talento. Cardoso Pires é um mestre e “O Delfim” uma jóia da literatura em língua portuguesa.
  Fernandosfjr | Aug 11, 2016 |
Bom livro. Avançado para a época em que foi escrito e que se veio a tornar um clássico e de leitura obrigatória. ( )
  cunha1907 | May 23, 2011 |
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