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Jovita é jovem e bela, mas sofrida. Certo dia, o marido a deixa e vai para o RJ tentar a sorte. Sem dinheiro, ela é obrigada a mudar-se com os cinco filhos para o bordel de sua sogra, Tia Chininha, enquanto aguarda o retorno de seu homem. Hóspede e prisioneira, Jovita luta contra o desejo que lhe consome o corpo e a alma.
Aug 15, 2008Portuguese
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Num casamento, até que ponto o marido conhece a esposa, a mulher conhece o homem? O que os une, e o que os separa? Por que alguns dão certo, e outros não? Que medos, tensões, desculpas e justificativas cercam os rompimentos ou fortalecem a união a dois? Não será o casal ideal uma ilusão da instituição casamento? É possível ser feliz convivendo durante anos sob o mesmo teto? A vida estável, amigável, equilibrada, embora morna, às vezes sem sexo, é a receita correta para relacionamentos duradouros? Não somos todos cegos e carentes quando se trata de amor? Afinal, existe amor eterno?
Misto de reportagem e diário de viagem, Laowai (estrangeiro em chinês) narra a permanência do casal Sônia Bridi e Paulo Zero na China entre 2005 e 2006. Sem falar o idioma e com um filho de apenas três anos, encararam o desafio de montar a primeira base da TV Globo no Oriente. Sônia conta, com estilo inconfundível e humor peculiar, como foi viver dois anos num país literalmente do outro lado do planeta, com costumes completamente diferentes dos vivenciados até então – apesar de ambos serem cidadãos do mundo, os dois experientes jornalistas sofreram um grande choque cultural.
Jul 28, 2008Portuguese
Sexo, drogas e amor sem limites

Claudinha conta a história de amor entre um homem maduro e uma menina pré-adolescente. À primeira vista, o leitor pode sentir algum mal-estar ao imaginar a situação. Esqueça isso – se vítimas há nesta história não é a menina, é o homem!

Mavrô, alter-ego de Alexis, trabalha numa redação de importante jornal carioca no início dos anos 70 – está, como ele mesmo diz, “infiltrado na imprensa”. Claudinha, filha da colunista social, um dia aparece na redação. Linda, aparentando mais idade do que realmente tem, não é uma menina comum. Como o leitor descobrirá, é uma predestinada, dona de irresistível carisma. Mavrô não é santo, nem faz esforço para sê-lo. Ele sente, sim, atração pela menina-criança. Mas não esboça uma iniciativa real para consumar seu desejo – qualquer intenção maliciosa se mantém no plano das idéias.

Logo descobrimos que Claudinha não é menina-criança; é menina-mulher de personalidade forte, voluntariosa e com iniciativa, que sabe coisas surpreendentes para sua idade e possui vontades de mulher adulta. Imagine uma menina assim, mulher em corpo de ninfeta, bater à sua porta declarando-se apaixonada, decidida a seduzi-lo... Você resistiria? Mavrô sucumbe sem esboçar reação; ele nunca teve chance.

Mavrô, ou Alexis, também não é um homem comum. Com uma história de vida rara, tem um espírito livre. Sem as amarras de preconceitos e freios civilizatórios que assombrariam um show more homem “normal”, entrega-se sem reservas a este amor.

Antes de Claudinha no Ano da Loucura, Alexis já publicara dois romances, ambos em 1974. Em Adeus Grécia, ele conta sua infância em Mavrodendri, na Macedônia, onde comeu o pão que o diabo amassou. Em Melissa, desnuda seu romance com Elke Maravilha, de quem foi o primeiro marido. Em ambos, expõe vísceras e alma, sem condescendências.

Como disse Paulo Hecker Filho, no prefácio da primeira edição de Claudinha, os três livros compõem uma obra extraordinária, de alcance universal. “Um desses retratos sem retoques da vida que surgem de raro em raro na literatura e permanecem imunes ao tempo. Alexis não apenas diz a verdade, mas toda a verdade sobre si mesmo. Uma comunicação assim tão íntima com o real já implica uma vitalidade superior, um talento incomum. Talento que se completa na expressão pela fina e sempre justa intuição narrativa. Não cansa nunca nem é insuficiente. Às vezes evoca um ambiente, uma cena, um perfil numa frase, outras, num longo capítulo, e nem sinal de palha seca de retórica, cada palavra arde. Sua obra constitui uma das mais sinceras, e livres de preconceitos – dos verbais aos sexuais –, autobiografias que existem. Um dos mais inestimáveis presentes que as letras brasileiras já ganharam de um estrangeiro.”

Claudinha é dividido em três partes: 1972, 1973, 1974. Na primeira, Mavrô e Claudinha se encontram, trocam bilhetinhos inocentes que são lidos e entregues pela mãe de Clau, e termina quando ela o procura em seu apartamento e se declara. O episódio coincide com a censura de artigos dele no jornal. Mavrô repassa sua vida, decide entrar em licença e se tranca em seu apartamento para escrever uma tetralogia chamada Viagem ao Mundo dos Livros.

Aqui, ficção e realidade se confundem. Alexis realmente sofreu censura e foi detido pelo DOPS, nesta época, por causa de artigos polêmicos em defesa da revolução sexual, orgasmo, drogas, aborto, liberação das mulheres, etc. O estopim foi um texto “exigindo” a liberação do (proibido) filme Sopro no Coração, de Louis Malle (a história incestuosa da mãe com o filho doente). Já no fim dos anos 70, sofreria nova censura por causa de obra exposta no Salão de Verão do MAM – grandes painéis com fotos de mulheres nuas colocados num “gramado” de maconha.

Quanto à tetralogia, ele realmente a escreveu. O primeiro volume é Adeus Grécia, que trata da infância do homem em busca do amor. O segundo, Melissa, fala sobre o amor encontrado e vivido. O terceiro, Claudinha, sobre a infância da mulher em busca do amor (contraponto ao primeiro volume). O quarto, ainda inédito, é A Mãe do Filho, e fala sobre o filho como conseqüência natural dos três anteriores e sua problemática.

Na segunda e terceira parte de Claudinha, toda a ação se desenrola dentro do apartamento de Mavrô, Lá fora, o Brasil vive os anos de chumbo. Dentro do apê, desbunde total, não sem alguma paranóia, afinal o relacionamento entre adulto-lolita descamba para a suruba ampla geral e irrestrita, com participação de uma namorada de Alexis (adulta), filha de um general do Exército, que também se deixa seduzir pelos encantos da ninfeta, e alguns amigos de escola de Clau, que buscam no apê refúgio para o uso de drogas – da porta para dentro, território livre, onde tudo acontece. Em alguns momentos de lucidez, Mavrô se questiona sobre a possibilidade de “pintar sujeira”...

A história não tem final feliz, alguns tombam pelo caminho. O livre arbítrio tem um preço – e alguns pagam caro por sua participação nesta aventura. Mas o final da história é de somenos importância – o que importa, realmente, é o seu desenrolar. O conteúdo dos diálogos entre homem e ninfeta, as reminiscências de Mavrô sobre suas relações familiares, os pensamentos sobre o que acontece em sua vida, a sua disposição em viver no fio da navalha e se entregar ao amor sem limites, indo às últimas conseqüências, as reflexões sobre a natureza humana e a sociedade de consumo são esplêndidas. Como diz Mavrô: “basta soprar o pó que nos cobre e descobriremos o selvagem”.

Claudinha no Ano da Loucura tem sexo e drogas, mas vai muito além: tem verdade, apresentada de forma honesta, sem concessões ou complacência – não há lugar para ressaca moral.

Alguns, ao terminar a leitura, poderão pensar que Mavrô, ou Alexis, o Grego, é um sortudo, que comeu muitas e belas mulheres na vida. É uma verdade. Outra verdade é que Alexis sofreu reveses que teriam destruído, física e mentalmente, um homem comum – como o boxeador que vai a nocaute e beija a lona. É nesta hora que se conhece a essência do ser humano – Alexis é daquela cepa de lutadores de fibra, que mesmo usando as cordas para se levantar, ainda grogue, engole o orgulho, lambe o sangue das feridas, e volta para o centro do ringue, porque ali é o seu lugar. Sempre inteiro, nunca pela metade, porque o meio termo é a dimensão dos medíocres.

Alexandros Evremidis, às vésperas de completar 67 anos, é personagem de um extraordinário romance: sua própria vida. Seu papel é equilibrar-se na gangorra das emoções, seguir em frente com o vento no rosto e viver com a intensidade de uma supernova.

Jakzam Kaiser
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Jul 28, 2008Portuguese
Narrativa ambientada na Porto Alegre dos anos 70-80. Fúria inconseqüente, militância, trabalho, drogas e sexo dominam um cotidiano em que preocupações, comportamentos e o contexto de uma geração são desvendados. Retrato fiel de quem viveu teorias na prática e se entregou a experiências afetivas e políticas que ainda repercutem.
Jul 28, 2008Portuguese