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Description

Here at last is an exciting new translation of the modernist Brazilian epic Macunaíma by Mário de Andrade. This landmark novel from 1928 has been hugely influential. It follows the adventures of the shapeshifting Macunaíma and his brothers as they leave their home in the northern Amazon for a whirlwind tour of Brazil, cramming four centuries and a continental expanse into a single mythic plane. Having lost a magic amulet, the hero and his brothers journey to Sao Paulo to retrieve the show more talisman that has fallen into the hands of an Italo-Peruvian captain of industry (who is also a cannibal giant). Written over six delirious days--the fruit of years of study--Macunaíma magically synthesizes dialect, folklore, anthropology, mythology, flora, fauna, and pop culture to examine Brazilian identity. This brilliant translation by Katrina Dodson has been many years in the making and includes an extensive section of notes providing essential background information for this magnificent work. show less

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Não há nada que eu possa dizer sobre Macunaíma que não tenha sido melhor dito umas quarenta vezes por pessoas muito mais articuladas e estudadas que eu. Tem livros que você lê, olha, fala, ‘é, isso é do grande caralho’ de forma abstrata. Dá pra absorver uma obra de arte sem que, por qualquer triste motivo, cê tenha sido extremamente tocado, como já fui e quis wax poetical por palavras a fio sobre x livro. É extremamente provável que timing seja uma questão central e o timing de vida de ficar doente logo após ler o livro, de estar meio questionando minhas escolhas, etc, não me ajude a ter cabeça pra me embeber na obra, que se não é gigante, é densa. De qualquer forma, esse exercício especulativo não vai me fazer show more nada além de fomentar a culpa que reside em mim, e disso estou farto.
Macunaíma é um livro intraduzível, absolutamente inviável em qualquer outra língua que não seja o português brasileiro. É óbvio que o próprio objetivo dos modernistas, que Mário de Andrade representa tão bem, é essencialmente fechado para nós mesmos. Criar uma literatura que seja verdadeiramente nossa, e não inspirada nos modelos europeus (como fez o Romantismo anteriormente), e que incorpore características da nossa oralidade, implica criar livros que são inacessíveis à tradução. O jogo sonoro, a absorção de expressões e vocabulários das matrizes africanas e indígenas, então, selam o destino do livro como obra possível apenas e tão somente para nós. Se por um lado isso é uma oportunidade única, por outro implicam na existência de uma série de mundos que são inalcançáveis para nós, enquanto não cidadãos de inúmeros países. É um trabalho árduo que nem ser hiperpoliglota garante. O tempo escorre por minhas mãos.
Filho do silêncio, Macunaíma nasce sem pai, feio. Precoce, não fala por preguiça, mas já se interessa por mulheres aos seis anos. Mário é muito enfático ao dizer que não pretendia que seu livro fosse lido como uma ‘alegoria’ ou coisa do tipo, o que parece demais algo que fariam hoje em dia, uma parábola da colonização ou coisa do tipo. O escritor é profundamente interessado no Brasil e cria um herói negro filho de índigenas que em certo ponto torna-se branco. A obra é tecida por capítulos curtos que acabam sendo quase fábulas isoladas em si, mas sem o objetivo explícito de ser uma explicação para as expressões brasileiras ou uma origem lendária de nossas frutas. Acontece de vez em quando de forma explícita, ‘por isso que se fala x’, mas não parece ser o objetivo formal do livro. Em busca de seu talismã perdido (muiraquitã), dado pela mãe do Mato, Ci, Macunaíma empreende uma viagem até São Paulo para reavê-la de Venceslau Pietro Pietra, colecionador. Ele também é o gigante Piaimã, e o livro se desenrola sob essa trama de reaver a tal muiraquitã, que é na verdade a joia mais valiosa da coleção do gigante. É um episódio que fala tanto sobre o destino da arte, que perde o valor funcional para tornar-se algo inútil numa coleção/museu, quanto do efeito da colonização, rapinando os bens indígenas para vendê-los e exibi-los. Eventualmente, Macunaíma triunfa, mas já não é mais o mesmo, e não se sente em casa nem na cidade, nem nas terras virgens em que vivia. Cansado e ludibriado por Vei, a Sol, ele decide virar uma estrela e brilhar inutilmente. O herói sem caráter, tanto pela sua falta de moralidade (ele é totalmente piroca) quanto pela falta de característica que o defina, Macunaíma é incapaz de se ater à um projeto, uma definição, e nisso representa o brasileiro. Mário é explícito em dizer tanto que o brasileiro não tem ainda caráter definido, isto é, é um povo ainda sem uma estrutura definida, fruto de um processo sociológico único que amalgamou muitas culturas em uma e criou um povo novo (versus a transplantação do povo inglês pros EUA no começo de sua colonização), mas alude que essa malandragem, essa imoralidade de Macunaíma, também nos representa bem. E representa mesmo. Tenho que ver o filme com o Grande Otelo.
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Imaginar que Macunaíma tem 100 anos é incrível. Uma visão profunda, sarcástica e precisa do Brasil e dos brasileiros. Engana-se quem acha que pode ser lido facilmente por jovens de hoje pois o vocabulário, as citações implícitas, o sarcasmo que aponta para outras obras e história da época, tornam a leitura deliciosa para leitores maduros mas penosa para quem apenas segue a história surrealista do herói.
Personagem-título, um herói sem nenhum caráter (anti-herói), é um índio que representa o povo brasileiro, mostrando a atração pela cidade grande de São Paulo e pela máquina. A frase característica da personagem é "Ai, que preguiça!". Como na língua indígena o som "aique" significa "preguiça", Macunaíma seria duplamente preguiçoso. A parte inicial da obra assim o caracteriza: "No fundo do mato-virgem nasceu Macunaíma, herói de nossa gente. Era preto retinto e filho do medo da noite."
É impossível pra mim pensar no Herói Sem Nenhum Caráter e Mário de Andrade sem pensar na Semana de Arte de 22 e no Manifesto Antropofágico do Oswald ("Só a Antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente. Única lei do mundo. Expressão mascarada de todos os individualismos, de todos os coletivismos. De todas as religiões. De todos os tratados de paz. Tupi, or not tupi that is the question. Contra todas as catequeses. E contra a mãe dos Gracos. Só me interessa o que não é meu. Lei do homem. Lei do antropófago". Disponível em http://www.lumiarte.com/luardeoutono/oswald/manifantropof.html)

Dois grandes autores, inimigos no final da vida, mas cujas obram se combinam para delinear o modernismo brasileiro.
Várias brasileirices,um bololô de nossa cultura bem interessante, mas um graça que não me agrada. Válido e chato. "Ai! Que prequiça!..."
Three short passages from Macunaíma:

*

One time a tick set up shop on the side of the road and did lotsa business cause he didn’t mind selling on credit. He sold so much on credit so much on credit, and so many Brazilians never paid that finally the tick went broke and got kicked out on the street. He clings to folks so much cause he’s reclaiming his debts.

*

As for the style, I used this simple, very sonorous way of talking, music really, given its repetitions, which are customary to religious texts and the set storytelling repertoire of our traditional rhapsodes. I did it to clear the way of those folks who buy pornographic books for the pornography. Well, if it’s true that my book possesses some whiff of pornography beyond show more sensuality, and even coprolalia, then at least no one will dispute the softening quality of the tempering style.

*

What I’m really after is to grant myself the destiny that my potential has granted me. And to have been useful: the preoccupations, attempts, friendships, and even (dynamic?) aversions that I’ve sparked have turned out well. The main result has been the ample pride that I possess, and which completely prevents me from any show of vanity. I did not content myself with yearning for happiness; I made myself happy.

*
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Livro muito difícil de entender sem notas extensas.

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Author
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Some Editions

Dodson, Katrina (Translator)
Goodland, E.A. (Translator)
Keene, John (Introduction)

Awards and Honors

Series

Belongs to Publisher Series

Work Relationships

Common Knowledge

Canonical title
Macunaíma
Alternate titles
Macounaïma, ou Le héros sans aucun caractère
Original publication date
1928
People/Characters
Macunaíma; Maanape; Jiguê; Sofará; Iriqui; CI (a Mãe do Mato) (show all 7); Wenceslau Pietro Pietra
Important places
São Paulo, São Paulo, Brasil; Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil; Ilha do Bananal, Brasil
Original language
Portuguese

Classifications

Genres
Fiction and Literature, General Fiction, Romance
DDC/MDS
869.3Literature & rhetoricSpanish LiteratureLiteratures of Portuguese and Galician languagesPortuguese fiction
LCC
PQ9697 .A72 .M313Language and LiteratureFrench, Italian, Spanish and Portuguese literaturesPortuguese literatureProvincial, local, colonial, etc.Brazil
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