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Itamar Vieira Junior

Author of Crooked Plow

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Image credit: Itamar Vieira Júnior (divulgação / arquivo pessoal)

Works by Itamar Vieira Junior

Crooked Plow (2019) 645 copies, 18 reviews
Salvar o fogo (Em Portugues do Brasil) (2023) 59 copies, 3 reviews
Coração sem medo (2025) 5 copies
Chupim (2024) 5 copies, 1 review
Uma Outra História (2021) 1 copy
A oração do carrasco (2017) 1 copy, 1 review

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26 reviews
A moving and beautiful story about quilombola tenant farmers on a plantation in the sertão of Bahia, Brazil. It’s told primarily from the points of view of two sisters, Bibiana and Belonísia, and while it tells the story of their family, in doing so it also illuminates the history of formerly enslaved African Brazilians and their descendants. Their father is a pai de santo of the Jarê religion, an Afro-Brazilian syncretic religion akin to Candomblé, and this religion, along with the show more people’s connection to the land and the political strife caused by racism and social injustice, inform the story. I think it’s not necessary to know the history of slavery and land rights in Brazil, because their effects are well described, but looking up the unfamiliar concepts was educational for me. But this is most of all a story of struggle, survival, perseverance, and community and can be read on a very personal level. show less
½
O provável próximo clássico da literatura brasileira contemporânea, Torto Arado é o retrato de um Brasil cujas chagas jamais se fecharam, porque nunca foram propriamente cuidadas.
A confusão entre qual irmã perdeu a língua de fato me pegou, mas o que achei mais inesperado foi o período no qual se passa o livro. Como eu realmente não sabia de nada exceto que o tema tinha relação com escravidão, eu achava que o livro se passaria PRÉ Lei Áurea. Aí surge a Ford Rural e alguns show more pequenos detalhes e bum, Torto Arado era um romance contemporâneo falando da escravidão contemporânea.
Torto Arado é sobre a ferida do racismo e do machismo que tanto nos assolam, e da herança maldita que foi a abolição fajuta que se fez: libertar os escravos e largar-lhes a míngua manteve a escravidão viva até os dias de hoje. A luta pela terra persiste, a luta dos quilombolas persiste até o momento, o que é infelizmente emblemático de um país que mesmo com inúmeros governos progressistas muito pouco progrediu para ajudar gente tão sofrida, fadada à fome e à violência. Em nosso ventre, abre-se mais uma chaga, eternamente sangrando, e os poucos curativos que nela fizemos nas últimas são sumariamente retirados. É infelizmente muito emblemático pra mim que a associação dos judeus com o genocida racista que nos governa tenha sido justamente em seu discurso na Hebraica, cuspindo racismo em relação aos quilombolas.
A prosa é leve, vívida, e nos traz uma vivência que raramente vemos exposta. O jarê, autêntico fruto do sincretismo brasileiro, é elemento central da narrativa, e é a resistência antes do sindicalismo e da luta propriamente dita. A comunidade de Água Negra, junto do jarê, é descrita sem rodeios, e sem o romantismo pueril que vê na pobreza a virtude em pessoa. Água Negra tem comunidade, empatia, tem a noção de proteção entre todos como uma grande família, mas tem também o vício, a dor, a morte, o machismo e a agressão. Não há solução fácil ou final feliz imediato para um país tão ferido, e a sorte que temos é que a carreira literária do autor está apenas começando.
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Meu último livro do ano foi também o maus falado, embora tenha ganho todos aqueles prêmios no ano passado, em 2021 o fenômeno de sua leitura continuou firme e forte.
É fácil ver o porquê de tanto sucesso, Itamar tem uma prosa deveras envolvente, mas fatalmente não foi esse o motivo de ter sido consumido em massa, também não foi porque na pandemia estávamos lendo mais, acho que o que nos levou a ler foi a iminência da catarse absoluta que o autor nos proporciona, esse olhar no show more Brasil profundo que revida às injustiças. Estamos há três anos num inferno fascista, qualquer coisa que nos dê um alento, mesmo que ficcional, sobre as injustiças do mundo nos leva a um patamar de esperança necessária para seguirmos em frente, coisas como o Bacurau de Kleber Mendonça e Torto Arado do Itamar Vieira fazem tanto sucesso porque transmitem nossos sentimentos em forma de arte. show less
Salvar o fogo é um romance tem muitas semelhanças com Torto Arado, mas isso não o torna menos importante ou pior. Apesar de alguns temas repetidos o romance em geral traz outras chaves de leitura, como a questão do que não pode ser dito, o que não deve ser dito e do que não se costuma falar. Além de trazer novamente a questão da justiça e injustiça, das arbitrariedades de quem tem o poder. Nesse ele também aborda a questão do preconceito religioso e como as pessoas religiosas show more são diferentes das pessoas que pertencem a uma religião, ou seja a diferença entre religiosidade e religião. Novamente a narrativa tem um aspecto poético, mas sua poesia é sempre triste e dura. Não convida ao choro, mas à empatia e ao compartilhamento. Esse livro é mais complexo que o Torto arado, pois seus temas tem mais nuances. Acho que Torto Arado tem uma estrutura mais inovadora e criativa, enquanto Salvar o fogo é mais uma obra com estrutura mais clássica de um autor que domina a arte da narrativa. As cenas são sempre fortemente imagéticas nos levando a vê-las sendo representadas. A personagem mais complexa que é também a protagonista, Luzia já está agora no panteão das grandes personagens da literatura brasileira. show less

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