Raul Brandão (1867–1930)
Author of Húmus
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Image credit: Wikimedia Commons
Works by Raul Brandão
Impressões e paisagens 2 copies
Teatro 2 copies
Páginas escolhidas de autores portugueses e brasileiros — Author — 1 copy
O rei imaginário (Teatro) 1 copy
O padre 1 copy
A conspiração de 1817 1 copy
Obras Completas 1 copy
Paisagem com figuras 1 copy
Praia de Mira: Os Pescadores 1 copy
A Pesca da Baleia 1 copy
Os Operários Livro 1 1 copy
Algarve 1 copy
A Noite de Natal 1 copy
A Noite de Natal Livro 1 1 copy
O avejão (Teatro) 1 copy
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Common Knowledge
- Legal name
- Brandão, Raul Germano
- Birthdate
- 1867-03-12
- Date of death
- 1930-12-05
- Gender
- male
- Occupations
- writer
journalist
Military officer - Nationality
- Portugal
- Places of residence
- Foz do Douro, Portugal
Porto, Portugal
Guimarães, Portugal
Lisbon, Portugal - Burial location
- Lisbon, Portugal
- Associated Place (for map)
- Portugal
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Grande loja do tio Pedro
show more
«Ainda há poucos anos havia no Rossio um quiosque conhecido pelo quiosque do tio Pedro – que pendurava à noite nos taipais uma lanterna com dois vidros de cores, um vermelho, outro roxo. Quando um fanchono passava e dizia: – Boas noites tio Pedro – logo o velhote mudava o vidro vermelho para o roxo, o que queria dizer – fanchono à vista – prevenindo assim os outros que estavam no Rossio.»
Raul Brandão, Memórias, t. II, Relógio d' Água, Lisboa, 1999,
p. 186.show less
O Húmus de Raul Brandão está longe de ser um livro de fácil leitura. Trata-se de um livro com múltiplos registos, com uma atmosfera lúgubre e de introspecção do homem enquanto ser vivo que aguarda a morte, questionando o que é afinal a vida, porque, afinal, «a morte de tal maneira se entranhou na vida que custa a separá-las».
Esta obra está escrita na forma de diário, sem uma estructura narrativa que se possa considerar tradicional, mas que, ao mesmo tempo, reflete um espírito show more ensaísta, onde, por vezes, a forma de romance bem a superfície, sendo a morte transversal ao todo o livro. Começa com ela («Ouço sempre o mesmo ruído de morte que devagar roí e persiste...») e termina com ela (« É preciso matar segunda vez os mortos.«). A nossa vida, essa que julgarmos ver, é apenas um vislumbre: «Nós não vemos a vida — vemos um instante da vida. Atrás de nós a vida é infinita, adiante de nós a vida é infinita.»
Não nego que prefiro ler livros em papel do que em formato digital, mas não é coisa que me transtorne. No caso do Húmus, li uma edição produzida pelo Projeto Adamastor (https://projectoadamastor.org/humus-raul-brandao/). Neste livro, foi curioso sentir que, sensivelmente quase a meio da sua leitura, é um livro que grita connosco para ser lido em papel. Há algo na sua atmosfera que assim o exige e que sinto agora não me permitiu senti-lo na sua verdadeira essência.
Sem dúvida para voltar a ler. show less
Esta obra está escrita na forma de diário, sem uma estructura narrativa que se possa considerar tradicional, mas que, ao mesmo tempo, reflete um espírito show more ensaísta, onde, por vezes, a forma de romance bem a superfície, sendo a morte transversal ao todo o livro. Começa com ela («Ouço sempre o mesmo ruído de morte que devagar roí e persiste...») e termina com ela (« É preciso matar segunda vez os mortos.«). A nossa vida, essa que julgarmos ver, é apenas um vislumbre: «Nós não vemos a vida — vemos um instante da vida. Atrás de nós a vida é infinita, adiante de nós a vida é infinita.»
Não nego que prefiro ler livros em papel do que em formato digital, mas não é coisa que me transtorne. No caso do Húmus, li uma edição produzida pelo Projeto Adamastor (https://projectoadamastor.org/humus-raul-brandao/). Neste livro, foi curioso sentir que, sensivelmente quase a meio da sua leitura, é um livro que grita connosco para ser lido em papel. Há algo na sua atmosfera que assim o exige e que sinto agora não me permitiu senti-lo na sua verdadeira essência.
Sem dúvida para voltar a ler. show less
Se não é o livro mais intensamente triste que li até hoje, está no top 10. As palavras cheiram ao titulo, linha após linha mais uma folha putrefacta se junta ao amontoado.
“Desapareceu a morte e eis-me aqui preso a esta criatura de olhos tristes fitos em mim. Para sempre! Até as coisas mais belas se transformam em absurdo e me pesam como chumbo. Pesa-me a tua amizade, pesa-me o teu amor – para sempre”
“Desapareceu a morte e eis-me aqui preso a esta criatura de olhos tristes fitos em mim. Para sempre! Até as coisas mais belas se transformam em absurdo e me pesam como chumbo. Pesa-me a tua amizade, pesa-me o teu amor – para sempre”
1 other reviewPortuguese
Sendo um relato de uma testemunha dos acontecimentos da Primeira República, estas Memórias têm valor de documento histórico. Interessante ainda as opiniões “politicamente correctas” na época sobre a mulher, o racismo, a natureza da democracia e outros temas. A escrita de Brandão é agradável de seguir pelo que as suas memórias, temperadas com humor, com poesia, com sensibilidade, se lêem sem esforço.
Feb 20, 2025Portuguese (Portugal)
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