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José Cardoso Pires

Author of Ballad of Dogs' Beach: Dossier of a Crime

68 Works 667 Members 8 Reviews 1 Favorited

About the Author

Works by José Cardoso Pires

Ballad of Dogs' Beach: Dossier of a Crime (1982) 161 copies, 1 review
O Delfim (1968) 88 copies, 2 reviews
A República dos Corvos (1989) 35 copies
Alexandra Alpha (1988) 32 copies, 1 review
Jogos de Azar (1993) 25 copies
O Hóspede de Job (1967) 23 copies, 1 review
O Anjo Ancorado (1990) 21 copies
Dinossauro Excelentissimo (1972) 19 copies
O Burro-Em-Pé (1997) 14 copies
Cartilha do Marialva (1999) 12 copies
Histórias de Amor (2008) 7 copies
A Cavalo no Diabo (1994) 6 copies
Lavagante (2008) 6 copies
O Delfim 4 copies
O Hóspede de Job (2011) 3 copies
O Render dos Heróis (1978) 3 copies
De Profundis, Valsa Lenta (1998) 3 copies
Celeste & Làlinha (1997) 3 copies
E Agora, José? 2 copies
O render dos heri̤s (2001) 1 copy
Gli scarafaggi (2005) 1 copy
O hóspede de Job (1992) 1 copy
Lisboa 1997 1 copy
Literatura (2005) 1 copy
O burro-em-p 1 copy
Dispersos 1 1 copy
El delfí (2008) 1 copy
El huésped de Job (1972) 1 copy
El delfín 1 copy
EL DELFÍN 1 copy

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Common Knowledge

Canonical name
Pires, José Cardoso
Birthdate
1925-10-02
Date of death
1998-10-26
Gender
male
Awards and honors
Prémio Pessoa (1997)
Nationality
Portugal
Birthplace
Sao Joao do Peso, Portugal
Places of residence
São João do Peso, Portugal (birth)
Lisbon, Portugal
Place of death
Lisbon, Portugal
Burial location
Cemitério dos Prazeres, Lisbon, Portugal
Associated Place (for map)
Lisbon, Portugal

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Reviews

8 reviews
“Diante do baralho, mas sem mexerem uma carta, os camponeses conferenciam no tom dos conspiradores em segredo. Não falam dos guardas porque já venceram a realidade que eles são. Discutem, para longe dessas presenças e desses cavalos, o futuro de Cimadas – isto é, um balde, um largo com vida, aquilo que tem de permanecer.”


Coloca José Cardoso Pires, simbolicamente, na figura de um balde a preocupação de um grupo de homens imóveis sentados à volta de um baralho de cartas. Lá show more fora, guardas dão de beber aos cavalos no poço. Os homens, dentro de uma taberna e de costas para esta cena, sentem isto como uma afronta.

Esta é uma das disputas que se passa dentro de O Hóspede de Job, livro escrito pelo autor, entre Março de 1953 e Maio de 1954, em memória do seu irmão mais novo, morto em consequência de um acidente de aviação enquanto cumpria o serviço militar, em 1953. A obra seria editada pela primeira em 1963.

O Hóspede de Job remete-nos para o Alentejo dos anos 50. Lá, o cabo ferreiro Três-Dezasseis entra em disputa com um comboio, mulheres marcham sobre a vila a pedir pão para casa e trabalho para os homens, o balde do poço é um bem precioso e em risco, uma prisioneira ajuda um guarda a estudar, um camponês é levado algemado a um polícia-rapaz até uma esquadra que antigamente era uma sacristia, um moço (João Portela) e um velho (Aníbal) fazem-se ao caminho com esperança (dois, entre tantos, que procuram trabalho de terra em terra). No meio disto, Job, a terra de extrema pobreza, recebe o hóspede rico, o americano Capitão Gallagher (o especialista em armamento e em guerras, que aí ensaia as suas máquinas, à custa da colonização militar). No fim, uma das personagens materializa-se em Job, ficando como símbolo da miséria vivida neste período.

“Havendo esta estranheza perante o sofrimento, e não desprezo, os militares do conto de Aníbal não vêem na morte a razão do ofício ou a justificação natural do inimigo. («Inimigo? Que é dele, o inimigo?», acudiria aqui o cabo ferrador Três-Dezasseis no seu discurso da taberna do homem de luto.)
Não vêem, não aceitam. Mas Gallagher escrevia o seu relatório sem os ouvir. Devorando cigarros, correndo folhas sobre folhas, compunha o elogio dos bons soldados e a vitória das armas.
A páginas tantas, bebeu uma golada de whisky e veio à janela tomar alento. Lá em baixo, pregado num muro de cicatrizes, Job contemplava, com olhos mudos, o cair da tarde e os pássaros que saltitavam à sua volta.”
show less
Mais do que o enredo em si, o que chama a atenção em “O Delfim”, de José Cardoso Pires, é a técnica narrativa, é o modo de narrar o desastre do Palma Bravo sem nome — simplesmente “o Engenheiro”.

Mas qual é a história?

O narrador - o próprio José Cardoso Pires —, também sem nome, chamado apenas de “caçador” ou “sr. Escritor”, retorna à Gafeira — localidade rural não muito distante de Lisboa — pretendendo participar da abertura da temporada de caça. Sim, show more caça de aves — patos, galeirões, cordonizes e outros tipos de emplumados que vivem na lagoa.

Mas, como disse, se trata de um retorno. Retorno porque o narrador já esteve no mesmo local, com a mesma finalidade, exatamente um ano antes.

E tudo no livro gira em torno desse retorno, dessa volta ao passado — recordação de pessoas e fatos que foram e mais não são.

O que motiva a recordação, no entanto, não é apenas a volta à Gafeira para uma nova temporada de caça na lagoa. É que, nesse meio tempo, ocorreu um desastre, verdadeira tragédia familiar. Domingos, serviçal do Engenheiro, foi encontrado morto na cama desse último. E Maria das Mercês, mulher do Palma Bravo, suicidou-se logo em seguida, afogando-se na lagoa. Tudo leva a crer que Domingos e Maria estavam dividindo a mesma cama quando, não se sabe bem como — e o narrador faz questão de não esclarecer —, Domingos teve um piripaque e partiu dessa para melhor.

O narrador-escritor-caçador toma pé desse fato assim que chega na Gafeira pela manhã. É um velho, o “velho cauteleiro”, coscuvilheiro malicioso, que o informa do acontecido.

A partir daí a narrativa ganha uma forma toda especial — e aqui o ponto alto do livro, na minha singela opinião.

Não é propriamente um flashback de tipo cinematográfico. É, na verdade, o esforço de recordação, de escavação da memória em busca de imagens, sensações, impressões, falas, conversas, paisagens, acontecimentos, pensamentos e detalhes dos mais variados que o narrador teria experimentado em seu contato — ainda que breve — com o Engenheiro, Maria das Mercês, Domingos e o próprio cenário da Gafeira com sua lagoa no ano anterior.

A narrativa construída por Cardoso Pires é maximamente realista. Todo esse conjunto de impressões vem à tona, não num bloco coeso e uniforme, mas fragmentariamente, em brumas, com lacunas, contornos fugidios e imprecisos.

Muitas vezes não fica totalmente claro se o narrador está se referindo ao presente, à sua segunda passagem pela Gafeira, ou se, pelo contrário, esta tratando de momentos vividos no ano anterior. Mas isso, passado um certo desconforto inicial na leitura, é rapidamente absorvido, não criando maiores obstáculos. Na verdade, esse detalhe faz com que a narrativa assuma maior realismo ainda, eis que é mesmo um esforço de rememoração, de retorno ao que foi experimentado um ano antes. E qualquer um de nós — é patrimônio comum — sabe que a memória quase sempre nos trai; que ela nunca nos entrega — a não ser em situações excepcionais — tudo exatamente o que queremos ou que precisamos.

Cardoso Pires desenha uma narrativa verossímil, realista, que transmite ao leitor a sensação de estar diante de um consciência que, em meio ao burburinho do ambiente em torno, forceja por recordar, relembrar, cenas e impressões a respeito de pessoas com as quais conviveu mas que, por força do destino, não estão mais aqui.

E Cardoso Pires faz isso — ponto importante para mim — sem cair, de um lado, na balbúrdia mental do fluxo de consciência, nem, por outro, na glossolalia existencialista.
Bom enredo, técnica narrativa interessantíssima, tudo realizado com arte, com talento. Cardoso Pires é um mestre e “O Delfim” uma jóia da literatura em língua portuguesa.
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Descreve com muita ironia e humor, uma certa elite portuguesa, nos anos 60 e 70, através de Alexandra Alpha e das suas relações. O livro está cheio de pequenas estórias, dentro da estória principal. Os diálogos, os monólogos, estão cheios de frases brilhantes, de pensamentos originais. É um livro longo, mas não é uma leitura pesada. Está escrito numa linguagem e duma forma bastante acessível. Dos livros que já li do José Cardoso Pires, foi aquele que mais gostei.
Bom livro. Avançado para a época em que foi escrito e que se veio a tornar um clássico e de leitura obrigatória.

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