Millôr Fernandes (1923–2012)
Author of Millôr Definitivo. A Bíblia Do Caos - Coleção L&PM Pocket (Em Portuguese do Brasil)
About the Author
Works by Millôr Fernandes
Millôr Definitivo. A Bíblia Do Caos - Coleção L&PM Pocket (Em Portuguese do Brasil) (1994) 65 copies, 2 reviews
O Livro Vermelho Dos Pensamentos De Millôr - Coleção L&PM Pocket (Em Portuguese do Brasil) (2000) 19 copies, 1 review
Flávia, Cabeça, Tronco E Membros - Coleção L&PM Pocket (Em Portuguese do Brasil) (2001) 11 copies, 1 review
Millôr no Pasquim 7 copies
Computa Computador Computa 6 copies
Eros uma vez 4 copies
Diário da Nova República - Vol. 3 3 copies
Papâverum Millôr 3 copies
Conpozissõis imfãtis 3 copies
Diário da Nova República - Vol. 2 3 copies
É... - Coleção Grandes Dramaturgos 2 copies
Millôr Definitivo. Uma Antologia de a Bíblia do Caos - Coleção L&PM Pocket (Em Portuguese do Brasil) (2016) 2 copies
O Caderno Rosa de Lori Lamby 2 copies
Os órfãos de jânio 2 copies
Lições de um ignorante 1 copy
Millôr no Pasquim 1 copy
Fábulas fabulosas 1 copy
Poemas 1 copy
Hamlet 1 copy
POESIA MATEMÁTICA 1 copy
Bons Tempos, Hein?! 1 copy
Poesia e matemática 1 copy
Millor em Veja e Isto é 1 copy
Devora-me ou te decifro 1 copy
Associated Works
Tagged
Common Knowledge
- Canonical name
- Fernandes, Millôr
- Legal name
- Fernandes, Millôr Viola
- Birthdate
- 1923-08-16
- Date of death
- 2012-03-27
- Gender
- male
- Occupations
- writer
journalist
cartoonist - Nationality
- Brazil
- Birthplace
- Rio de Janeiro, Brazil
- Places of residence
- Rio de Janeiro, Brazil
- Place of death
- Rio de Janeiro, Brazil
- Associated Place (for map)
- Rio de Janeiro, Brazil
Members
Reviews
Reli esse livro no fim de semana e apesar de datado em muitos aspectos continua atual. Trocariam-se alguns nomes, algumas situações comentadas da década de 70 por outros de agora e vamos encontrar um texto pertinente. A crítica ao politicamente correto é recorrente e acho que naquela época não tinha ainda esse nome. Se alguém quer ler apenas um dos artigos do livro leia o último que resume tudo, mas lendo apenas esse vai perder a chance de apreciar um livro divertido, e ao mesmo show more tempo cruel, irônico e as vezes mesmo surrealista. Um livro que é a cara do Brasil dos anos 70, mas que ainda mantém as mesmas mazelas até hoje. show less
A folhas tanta
do livro matemático,
Um Quociente apaixonou-se
Um dia
Doidamente
Por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável
E viu-a, do Ápice à Base...
Uma Figura Ímpar;
Olhos rombóides, boca trapezóide,
Corpo ortogonal, seios esferóides.
Fez da sua
Uma vida
Paralela à dela.
Até que se encontraram
No Infinito.
"Quem és tu?" indagou ele
Com ânsia radical.
"Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode chamar-me Hipotenusa."
E de falarem descobriram que eram
- O que, em aritmética, show more corresponde
A alma irmãs -
Primos-entre-si.
E assim se amaram
Ao quadrado da velocidade da luz.
Numa sexta potenciação
Traçando
Ao sabor do momento
E da paixão
Retas, curvas, círculos e linhas sinoidais.
Escandalizaram os ortodoxos
Das fórmulas euclideanas
E os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções newtonianas
E pitagóricas.
E, enfim, resolveram casar-se.
Constituir um lar.
Mais que um lar.
Uma Perpendicular.
Convidaram para padrinhos
O Poliedro e a Bissetriz.
E fizeram planos, equações e
Diagramas para o futuro
Sonhando com uma felicidade
Integral
E diferencial.
E casaram-se e tiveram
Uma secante e três cones
Muito engraçadinhos.
E foram felizes
Até àquele dia
Em que tudo, afinal,
Se torna monotonia.
Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum...
Frequentador de Círculos Concêntricos.
Viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela,
Uma Grandeza Absoluta,
E reduziu-a a um Denominador Comum.
Ele, Quociente, percebeu
Que com ela não formava mais Um Todo.
Uma Unidade.
Era o Triângulo,
Chamado amoroso.
E desse problema ela era a fracção
Mais ordinária.
Mas foi então que Einstein descobriu a
Relatividade.
E tudo que era espúrio passou a ser
Moralidade
Como aliás, em qualquer
Sociedade. show less
do livro matemático,
Um Quociente apaixonou-se
Um dia
Doidamente
Por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável
E viu-a, do Ápice à Base...
Uma Figura Ímpar;
Olhos rombóides, boca trapezóide,
Corpo ortogonal, seios esferóides.
Fez da sua
Uma vida
Paralela à dela.
Até que se encontraram
No Infinito.
"Quem és tu?" indagou ele
Com ânsia radical.
"Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode chamar-me Hipotenusa."
E de falarem descobriram que eram
- O que, em aritmética, show more corresponde
A alma irmãs -
Primos-entre-si.
E assim se amaram
Ao quadrado da velocidade da luz.
Numa sexta potenciação
Traçando
Ao sabor do momento
E da paixão
Retas, curvas, círculos e linhas sinoidais.
Escandalizaram os ortodoxos
Das fórmulas euclideanas
E os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções newtonianas
E pitagóricas.
E, enfim, resolveram casar-se.
Constituir um lar.
Mais que um lar.
Uma Perpendicular.
Convidaram para padrinhos
O Poliedro e a Bissetriz.
E fizeram planos, equações e
Diagramas para o futuro
Sonhando com uma felicidade
Integral
E diferencial.
E casaram-se e tiveram
Uma secante e três cones
Muito engraçadinhos.
E foram felizes
Até àquele dia
Em que tudo, afinal,
Se torna monotonia.
Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum...
Frequentador de Círculos Concêntricos.
Viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela,
Uma Grandeza Absoluta,
E reduziu-a a um Denominador Comum.
Ele, Quociente, percebeu
Que com ela não formava mais Um Todo.
Uma Unidade.
Era o Triângulo,
Chamado amoroso.
E desse problema ela era a fracção
Mais ordinária.
Mas foi então que Einstein descobriu a
Relatividade.
E tudo que era espúrio passou a ser
Moralidade
Como aliás, em qualquer
Sociedade. show less
Livrinho divertidíssimo do Millôr, com grande talento para condensação imagética de palavras, aproveita o sentido visual típico dos hai-kais para inserir pequenas ilustrações que tornam a experiência de lê-los ainda mais cativante.
"Na poça da rua
o vira-lata
lambe a lua."
"A vida é bela
Basta saltar
pela janela."
"Quantas palavras de amor
morrem
no apontador?"
"Na poça da rua
o vira-lata
lambe a lua."
"A vida é bela
Basta saltar
pela janela."
"Quantas palavras de amor
morrem
no apontador?"
Reli esse livro no fim de semana e apesar de datado em muitos aspectos continua atual. Trocariam-se alguns nomes, algumas situações comentadas da década de 70 por outros de agora e vamos encontrar um texto pertinente. A crítica ao politicamente correto é recorrente e acho que naquela época não tinha ainda esse nome. Se alguém quer ler apenas um dos artigos do livro leia o último que resume tudo, mas lendo apenas esse vai perder a chance de apreciar um livro divertido, e ao mesmo show more tempo cruel, irônico e as vezes mesmo surrealista. Um livro que é a cara do Brasil dos anos 70, mas que ainda mantém as mesmas mazelas até hoje. show less
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- Reviews
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- 1

















