Picture of author.

Gil Vicente

Author of Auto da Barca do Inferno

138 Works 906 Members 14 Reviews 2 Favorited

About the Author

Includes the name: Gil Vicente

Image credit: Wikimedia Commons

Series

Works by Gil Vicente

Auto da Barca do Inferno (1517) 303 copies, 3 reviews
Farsa de Inês Pereira (1994) 80 copies
Teatro (1983) 51 copies, 1 review
Auto da Índia (1985) 33 copies
Os autos das barcas (1992) 27 copies, 1 review
Teatro castellano (1975) 15 copies, 1 review
Auto da Alma (2010) — Author — 13 copies
Três Autos (1997) 13 copies
Autos (1990) 11 copies, 1 review
Auto da Feira (1989) 11 copies
Quem Tem Farelos? (1993) 8 copies
Lírica (1993) 7 copies, 1 review
Cuarenta años junto a Franco (1981) — Author — 5 copies, 1 review
Autos das Barcas (2007) 4 copies
Obras completas 4 copies
Auto de Mofina Mendes (2008) 4 copies
Auto da Índia (2008) 4 copies
Obras de Gil Vicente (2012) 4 copies
Farsas (2008) 2 copies
Satiras Sociais (2000) 2 copies
TRÊS AUTOS 1 copy
Poesía 1 copy
Teatro y poesía (1963) 1 copy
Poesías 1 copy
Inimigos 1 copy
A barca do inferno (1975) 1 copy

Tagged

Common Knowledge

Birthdate
1465 c.
Date of death
1536 c.
Gender
male
Occupations
dramatist
Nationality
Portugal
Places of residence
Portugal
Associated Place (for map)
Portugal

Members

Reviews

19 reviews
Ziguezagueando minhas leituras, logo após ler a Poética do Aristóteles e entender um pouco da tradição e da teoria dramática clássica e todas as suas unidades (de ação, de efeito, de tempo, até de linguagem), dou de cara aqui no Gil Vicente com um teatro que se desprende quase que totalmente desse molde clássico e, ainda sim, funciona muito bem obrigado.

Com cenas que não seguem linha específica e com uma procissão de personagens mesclados e tipificados; longe de serem show more amarrados por uma unidade de efeito narrativo-dramático, perdemos por um lado, a potência e o impacto da catarse — ou do que entendemos hoje como catarse — do teatro clássico, mas, de outro lado, ganhamos uma elocução divertidíssima, um desprendimento atrativo, um lirismo e uma linguagem cuidadosa, além da metrificação e versificação que deviam tornar as representações e o espetáculo muito vívidos; dependendo do meu humor, se me fosse permitido a escolha, preferiria muito mais assistir um espetáculo do Gil Vicente à uma tragédia grega. Há humores e humores.

Gil Vicente não faz aqui uma narrativa nem casual nem causal, o Auto da Barca do Inferno se assemelha mais a pequenas sketche cômicas, e seus personagens são todos alegóricos. Assim, compõe cenas célebres (na minha memória):
o fidalgo que manda o agiota ser cortês com o djabo, ambos já dentro da Barca do Inferno; o parvo que questiona ao diabo "é esta a NOSSA nau dos tolos?" a que o diabo responde: "nossa, não, VOSSA."; a cafetina que se julga santa por ter sido chicoteada em vida, ter cedido e convertido (à prostituição) muitas moças aos padres; o latim macarrônico e a soberba do advogado…
No entanto, o elogio que deve-se predominar, e a qualidade deste Auto ai está, é sobretudo na linguagem — irônica, variada, e intrincada. A moralidade do Auto é questionável e ultrapassada; se não irônica de inicio à fim. O que deve "ficar" é essa locução do Gil VIcente, que apresentava essas suas peças para a diversão de cortes, e nem por isso segurava a mão apesar com certos tipos sociais, não tinha dó (apesar de eu ter algumas dúvidas quanto até onde isso ia).

A edição anotada que li, do Francisco Achcar, ajudou muitíssimo, e certamente deixo como recomendação: além de uma boa introdução, tem ainda mais que um glossário, com explicações sobre palavras perdidas, palavras que perduraram até hoje, palavras que mudaram de significado, palavras que são referência à tal coisa ou personagem da época..., além disso a edição ajuda também na contextualização, imersão, e principalmente, na escansão, com descrições em como tal palavra era (e deve) ser pronunciada para encaixar na métrica do Auto.

No geral, uma boa obra, a mistificação de uma suposta dificuldade fez com que eu não a houvesse lido antes, mas como (quase) sempre, essas mistificações sempre se provam falsas ou exageradas, foi uma leitura agradável e divertida.
show less
«... de Gil Vicente, procedeu de uma visitação que o autor fez ao parto da muito esclarecida rainha D. Maria, e nascimento do mui alto e excelente princepe D. João, o terceiro em Portugal de este nome.» E foi—continua a rubrica—«a primeira coisa que o autor fez e que em Portugal se representou, estando o mui poderoso rei D. Manuel, a rainha D. Beatriz, sua mãe, e a senhora duquesa de Bragança sua filha, na segunda noite do nascimento do dito senhor.» «E estando esta companhia show more assim junta—conclue a rúbrica—entrou um Vaqueiro…» Senhoras e senhores: o teatro português vai nascer—e Gil Vicente vai entrar em scena! show less
Item mando vestir logo
O frade allemão vermelho
Daquelle meu manto velho
Que tem buracos de fogo.
Item mais, mais mando dar
A quem se bem embebedar
No dia em que eu morrer,
Quanto movel hi houver
E quanta raiz se achar.
Libros de Matias y Carmen. Ed. Orbis - Historia de la Literatura española. Vol. 51

Lists

Awards

You May Also Like

Associated Authors

Statistics

Works
138
Members
906
Popularity
#28,310
Rating
½ 3.6
Reviews
14
ISBNs
153
Languages
7
Favorited
2

Charts & Graphs