Henry Hazlitt (1894–1993)
Author of Economics in One Lesson
About the Author
Image credit: Courtesy of the Mises Institute, Henry Hazlitt Estate
Works by Henry Hazlitt
The Failure of the New Economics: An Analysis of the Keynesian Fallacies (1983) 142 copies, 2 reviews
Associated Works
Did You Ever See a Dream Walking? American Conservative Thought in the Twentieth Century (1970) — Contributor — 86 copies
Tagged
Common Knowledge
- Canonical name
- Hazlitt , Henry
- Legal name
- Hazlitt , Henry Stuart
- Birthdate
- 1894-11-28
- Date of death
- 1993-07-08
- Gender
- male
- Education
- City College of New York (dropped out)
- Occupations
- journalist
author
economist
philosopher - Organizations
- Foundation for Economic Education
The Wall Street Journal
The Sun (New York)
The New York Times
The American Mercury
The Nation (show all 8)
The Freeman
Army Air Service (WWI) - Relationships
- Hazlitt, Frances Kanes (wife)
- Short biography
- Henry Hazlitt was a libertarian philosopher, an economist, and a journalist. He was the founding vice-president of the Foundation for Economic Education and an early editor of The Freeman magazine, an important libertarian publication. In 1946 Hazlitt wrote Economics in One Lesson, his seminal text on free market economics, which Ayn Rand referred to as doing a "...magnificent job of theoretical exposition." Hazlitt is credited with bringing his ideas and those of the so-called Austrian School to the American economics scene and his work has influenced the likes of economist Ludwig von Mises, novelist and essayist Ayn Rand, and 2008 Libertarian Party Presidential nominee and congressman, Ron Paul.
- Nationality
- USA
- Birthplace
- Philadelphia, Pennsylvania, USA
- Places of residence
- Wilton, Connecticut, USA
Brooklyn, New York, USA - Place of death
- Fairfield, Connecticut, USA
- Associated Place (for map)
- USA
Members
Reviews
Very good for illustrating that libertarian ideas have not grown or evolved in 45 years since this was written. Hazlitt covers every trope that we hear today, making the same arguments: unions are bad, minimum wages are bad, foreign aid is bad. Those in poverty are largely self-inflicted, and any aid given should be short term and minimal. Anyone receiving welfare payment of any kind should lose the right to vote, because having made such a mess of their own lives they lack the wherewithal show more to make decisions for the rest of society. On the other hand, capitalist markets are an unqualified good, and their beneficiaries merit no criticism or instruction.
The last bit is particularly telling, as Hazlitt demonstrates the embedded racism that characterizes libertarian philosophy. Capitalism is good, he argues, because all portions of society benefit proportionally. He demonstrates the first point by using data on white families. But he has a brief chapter on how black families have also benefited. But not too much: because blacks began behind whites due to slavery, they should always, as a group, trail whites. If they ever caught up, that could only be because they are receiving a disproportionate portion of the benefits of capitalism, and that would be wrong. That blacks (as a group) remain an entrenched and trailing population goes to show how fair the system is. Who would want to intervene in that? Yay capitalism!
Libertarians should be embarrassed. show less
The last bit is particularly telling, as Hazlitt demonstrates the embedded racism that characterizes libertarian philosophy. Capitalism is good, he argues, because all portions of society benefit proportionally. He demonstrates the first point by using data on white families. But he has a brief chapter on how black families have also benefited. But not too much: because blacks began behind whites due to slavery, they should always, as a group, trail whites. If they ever caught up, that could only be because they are receiving a disproportionate portion of the benefits of capitalism, and that would be wrong. That blacks (as a group) remain an entrenched and trailing population goes to show how fair the system is. Who would want to intervene in that? Yay capitalism!
Libertarians should be embarrassed. show less
Juntamente com o meu interesse em psicologia, veio inevitavelmente o bicho da política. Houve uns anos em que pensava que anarquia era uma coisa fixe e que fazia todo o sentido, especialmente quando acompanhada com Punk Rock e Heavy Metal, e uma ocasional saudade da minha alegre casinha. As “gajas” eram outro motivo, visto teoricamente haver ‘mais à vontade’. Descobri que para tirar partido dos benefícios da anarquia são precisos, nada ironicamente, três coisas: ser atraente, show more não crescer e não entender muito de economia. Afinal, que outra coisa esperar da ideologia que acredita que a convivência entre os seres humanos é simplesmente determinada pela vontade e razão de cada um. Vontade essa que não nega ordem social, mas continua cheia de malucos, já que utopias não são sinais muito bons de sanidade.
Quanto ao primeiro ponto já desisti de dizer alguma coisa, mas eventualmente um gajo tem de crescer e orientar as contas, por isso, já que sou um animal político, vamos adicionar economia à lista de cenas que tenho a mania que percebo.
Recomendaram-me Economia em uma lição (Economics in One Lesson) de Henry Hazlitt, como o livro Pop mais claro e fiável sobre economia, e tenho a dizer que foi o melhor livro de não-ficção que li até à data. E o único de economia. Mas para o entender, compensou ler todos os artigos dos jornais.
Comecei por ler a versão de Walter Block de Agosto de 2007, que está muito boa e tem uma introdução pelo próprio autor, mas acabei por encontrar uma versão portuguesa pelo Instituto Ludwig von Mises do Brasil, que está ótimo, por isso vamos lá dar uma jóia aos nossos irmãos.
O Livro tem como objetivo combater falácias que, segundo Hazlitt, são pragas no mundo económico e reforçadas pelos governos, principalmente os mais socialistas. Alguns exemplos incluem: trabalhos públicos promovem bem estar económico, sindicatos e suas leis de salário mínimo aumentam os salários, comércio livre aumenta desemprego, controle de rendas ajuda a dar habitação aos pobres, poupar magoa a economia, lucros são fruto de exploração dos pobres, e por aí.
Hazlit era um leitor voraz, e queria estudar filosofia e psicologia mas foi obrigado a deixar os estudos para sobreviver. Realizou mais que muitos textos académicos mas permaneceu sem credenciais. Nenhuma universidade lhe deu PhD de economia, e quando começou também não percebia nada. No entanto, assim que começou a trabalhar para Wall Street Journal, inteirou-se no assunto e é hoje em dia um autor com obras de referência nas aulas de economia. Parece que nesta altura, trabalho ainda valia mais que canudo e 200ml de tiamina depois da praxe.
Hazlitt ainda tem o seu próprio prefácio, deixando algo bastante claro:
O volume é primariamente uma exposição. Não é pretensioso em clamar originalidade em alguma das ideias expostas. É porém, um esforço que mostra muitas das ideias que passam hoje como inovações brilhantes e progressos, são de facto meras revivificações de antigos erros e mais uma prova do ditado, segundo o qual todos aqueles que ignoram o passado estão condenados a repeti-lo. […] O presente ensaio é, suponho, impudentemente “clássico”, “tradicional” e “ortodoxo”: pelo menos são esses os epítetos com os quais as pessoas procurarão, indubitavelmente, tentar rejeitar essa análise.
O objetivo da obra não é expor e criticar erros específicos de quaisquer autores, mas os erros económicos mais comuns, por isso não fiquem desapontados se não virem mencionados nomes como Karl Marx, Thorsten Vebler ou Lord Keynes. No entanto, as suas políticas, coincidentemente ou não, estão bem presentes. Lembremo-nos ”A noção que podemos dispensar as visões de todos os pensadores anteriores, certamente não deixa nenhuma esperança para que o nosso próprio trabalho tenha algum valor para os outros” - Morris R. Cohen.
Qualquer coincidência com Portugal...é pura coincidência
Vou entrar agora nos pontos que adorei ler e que achei incrivelmente relevantes na situação do nosso país, ou até mesmo qualquer país democrático e Europeu. Pelo menos tendo em memória as notícias que ouvimos no telejornal ou nas reportagens que passam à noitinha para desculpar sermos um país muito transparente no que cabe à política, com noventa minutos ou mais de programa.
Começo pelo base humano que é o interesse próprio, onde o Homem vê somente os efeitos imediatos de uma política, ou os efeitos num só grupo especial, negligenciando os efeitos a longe prazo não só nesse mesmo grupo especial mas também em todos os outros.
Uma economia má vê o que é imediato. Uma economia boa olha sempre em redor.
No entanto, devido à forma como o dinheiro se move e os impostos fazem parte da circulação, levanta-me sem dúvida a questão: considerando as leis a longo termo e o tempo que levam a dar um retorno positivo ao país, serão quatro ou cinco anos de mandato suficientes para que tais se estabeleçam? O risco de descontentamento do eleitor é tal, que um novo partido tomará posse, incluindo novas ideias, anulando qualquer ganho no país em prol de uma vitória política. Porém existe o risco de um mandato longo onde muito saiu e pouco ou nada entrou e foi propriamente investido, tipo como se vê em ditaduras. Apesar de todas as liberdades sociais e económicas que a democracia nos dá, sacrificamos estabilidade e acreditamos nas falsas promessas feitas em campanha. Não é raro tais promessas nunca serem cumpridas ou os governos mudarem de opinião, mas tal não acontece pelo interesse partidário e jogos de poder, ou porque realisticamente não há tempo e as autoridades burocráticas não permitem a flexibilidade necessária para ver os efeitos a longo termo de tais promessas, logo parecendo que chegam convenientemente em altura de eleições, quando na verdade chegaram na altura certa.
Adiante.
Usemos o brilhante exemplo da Janela Partida: um rapazola parte um janela de uma padaria e foge. O pessoal à volta ouve e junta-se a ver o que se passa. O padeiro fica chateado, mas a multidão pensa, “olha que bom, o vidraceiro vai ganhar dinheiro arranjar isto”.
Mas o padeiro é como nós, antes de ter a janela partida, ele tinha tudo intacto e 50€ no bolso guardados para comprar um fato. Agora tem uma janela partida e tem de usar os 50€ para arranjar. Ou seja, fica com uma janela arranjada e nenhum fato. Quem ganhou os 50€ foi o vidraceiro.
Qual a consequência? Assumindo que vivemos em comunidade, neste caso o padeiro vive em comunidade, o alfaiate ficou sem 50€ e sem um cliente, porque perdeu a oportunidade ao vidraceiro. A multidão não está a pensar no alfaiate, só na consequência imediata em que o vidraceiro faz parte. A multidão simboliza aqui o grupo político ou económico que só vê o ganho imediato e não pensa no longo termo algures que no entanto está indiretamente relacionado com a vida não só social mas também económica da comunidade.
Aprendemos aqui a grande Lição: a arte da economia consiste em não olhar meramente para o imediato, mas para os efeitos longo termo de qualquer ato ou política; consiste em traçar as consequências dessa política não só para um grupo mas todos os grupos.
Exemplos Reais
Serve também de exemplo para a falácia que afirma que a destruição cria lucro e emprego. Exemplo: Guerra. Hazlit vem de uma industrialização não muito longe do pós Segunda Grande Guerra, logo o grande medo e ênfase no exemplo. Destruição e reconstrução chamam novos empreiteiros, novas fábricas, novas casas, etc. Enquanto isso, países em guerra e que até estejam mesmo a ganhar não podem ter algo novo nem melhorar o que já têm, porque os recursos estão todos a ir para reconstrução. A única coisa que está a progredir é a autocracia e tecnologia militar, que até pode vir a ter usos no meio civil, mas não economicamente destruindo a nação e quem nela vive. Sun Tzu, 545 e 496 anos Antes de Cristo já tinha chegado a essa conclusão.
Necessidade não dá mais demanda.
Lembram-se do alfaiate? O que há é um desvio da procura do alfaiate para um monte de vidraceiros. Onde o negócio aumenta de um lado, reduz noutro.
Procura e Demanda são dois lados da mesma moeda onde está tudo interligado. Agricultores fornecem trigo e procuram veículos para transportar. O fornecimento de veículos procura produtos para transportar, como o trigo. Agricultores podem produzir mais e quem transporta pode produzir mais. É o normal numa economia de troca.
Questiono-me novamente se as políticas em nome da igualdade estão hoje em dia a subverter estes valores e esta lição.
Talvez este o motivo que levou às más condições e más políticas que afetam qualquer das minorias hoje em dia. Foi uma acumulação de negligencia e que pode ser aplicada a qualquer política social e económica, visto estarem hoje em dia, mais que nunca, relacionadas.
Porém, não acredito tais políticas serem regra, porque apesar da possibilidade de uma subversão mestria por maus economistas, existem políticas que permitem as autoridades agir de forma rápida e abrir investigações favorecendo as vítimas com provas claras. Provas que até são também consequências imediatas a usar contra os grupos predatórios.
Embora a ideia tenha boas intenções, como oportunidade igual e salário igual, o método de aplicação está novamente a ter em conta somente o efeito imediato nos grupos e não as consequências que terá na sociedade no seu grande esquema. A multidão aplaude o vidraceiro e ignora o alfaiate. Sem dúvida em que há casos sem exemplo, mas estes devem ser usados como um erro a não cometer e não como alarmes para uma regra que não existe. Analisando os dados propriamente e os que envolvem uma grande diligência como tempo de trabalho, tipo, hierarquia e até mesmo personalidade e saúde, vemos que maus exemplos não são a regra mas ainda assim priorizados. As políticas estão novamente em pleno Sec. XXI a favorecer o grupo de campanha e não a prosperidade de toda a comunidade.
O milagre de todos os males económicos, é investir dinheiro. Desemprego? Cria “poder de compra privada”. Industria estagnada? Investe-se.
Problemas no interior do País
Claramente, gastos governamentais em obras públicas são necessários, como ruas, estradas e qualquer infraestrutura. Permitem melhor circulação de produtos, logo mais produção e mais lucro. O problema está nos chamados “Projetos”. Aqueles que estão sempre a criar empregos para poder subir a inflação.
Aqueles projetos espetaculares que supostamente trazem pessoal para o interior mas fica tudo em águas de bacalhau, desses que há aos montes.
Imaginem uma ponte. Se for para resolver um problema de circulação na zona e que permitam melhor transporte, tudo bem. Mas, Quando oferecer emprego constitui um fim, a necessidade torna-se uma consideração subordinada. Tem-se que inventar “projetos”. Em vez de pensarem apenas nos locais em que devem ser construídas as pontes, os responsáveis pelo dinheiro público começam a indagar a si mesmos onde podem construí-las.
O que se vê de imediato, é que criou centenas de postos de trabalho durante a construção da ponte, e a construção civil enche, e muito bem, o pote. Mas depois, para manter a ponte, são precisos milhões que são taxados aos contribuintes das mais variáveis formas legais. Montante que seria usado pelos mesmos contribuintes para melhorar a sua qualidade de vida, e agora está a ser taxado num projeto que é ultimamente inútil e que muitas vezes acaba ser abandonado, curiosamente, mais ao menos ao mesmo tempo que acaba a campanha ou o prometedor perde as eleições. Curioso. Muito.
No entanto, estas obras continuam a ser reforçadas porque ao mesmo tempo, se correm bem e estão na altura certa apesar das “más” intenções, passa tudo ao lado. Mas quem está atento e olha bem para aquela ponte, começa a pensar no cultivo que não foi feito, nas casas que não foram melhoradas, nas coisas que não foram fabricadas nem vendidas, e que ultimamente não trouxeram melhoria nenhuma para a economia local e por consequência, o país. E assim o interior fica na guerra da relevância, e leva com composições sobre o porquê da população gostar e estar toda a vir para o litoral.
O mesmo pode acontecer com projetos públicos como habitações para os mais necessitados. Não entrando em moral e focando simplesmente no modelo económico, estes são taxados do contribuinte que paga mais renda e em alguma percentagem, do contribuinte que procura rendas menores.
Mister Taxinhas e Senhora Ambiente
Se uma corporação perde 100 cêntimos por cada Euro que perde, e só lhe é permitida ficar com 60 cêntimos por cada euro que ganha, enquanto ainda está a tentar compensar os anos de perda com os de ganho, as políticas são afetadas. O empreendedor não pode expandir operações, contratar mais empregados e não consegue atualizar ou melhorar o equipamento a bom tempo, impedindo assim o consumidor de comprar produtos melhores e a menor preço. E assim, os salários são afetados.
Durante anos, o capital é taxado antes de ser acumulado.
Abriu-me a questão daquelas taxas que querem pôr do açúcar, do sal e do sol que me dá na casa. Já sabemos que o dinheiro contribuinte que poderia ir para melhorar infraestrutura e qualidade de vida vai com os pintos, agora imaginem para onde vai o que é cortado nestas mesquinhices todas em nome do ambiente.
É um facto, culpa humana ou não, alarmante ou não, que as mudanças climáticas existem e que altas taxas de massa gorda fazem mal. Recursos infinitos ou não, o certo é que mina-los é tóxico nem que seja só para as populações imediatas, criando todo o tipo de problemas de saúde pública. No entanto duvido completamente que tais taxas venham a fazer alguma coisa de bom, especialmente para o consumidor. Não há garantias que o valor taxado seja usado na educação e adoção de políticas que permitam ao consumidor preferir comidas ditas saudáveis. O consumidor não é burro. É descuidado e quer satisfazer-se. Tais taxas só servem para aumentar o preço dos produtos, que tira dinheiro que poderia ser usado noutras coisas e ainda afetam a demanda e os salários dos produtores. Se forçam o consumidor a não comprar coisas sem muito sal, em vez de educar os produtores e o comércio a produzir saudavelmente, o que vai acontecer é que os produtores vão ter o seu trabalho e salário comprometido. Infelizmente, se querem ajudar o moço pobre a produzir sapatilhas na Tailândia, têm de comprar as sapatilhas feitas pelo moço. Não comprar, vai afetar o seu trabalho e por consequência piorar as condições de trabalho. Infelizmente, somos impotentes, mas a melhor esperança para o moço é certificar que ele mantém as condições e que as políticas da Tailândia permitam, no mínimo, fazer a vida mais fácil a quem está nesta situação. Porque se o moço não recebe o seu salário, algo ainda pior o espera e à sua família.
O mesmo acontece ao se aplicar taxas atrás de taxas em nome do ambiente, em vez de investir em obras públicas reais. Em vez disso, temos o equivalente de “Projetos” no ambiente. Querem aumentar o número de legumes e soja para bem do ambiente, entretanto em África, território que antes era de tigres, leões e elefantes, pertence agora a plantações de soja, enquanto as espécies morrem. Mais um exemplo primário de só verem o que tem à frente em nome das boas intenções.
Al Gore prometeu-nos que as tecnologias amigáveis do ambiente estariam mais baratas e mais acessíveis e no entanto, mantém-se entre as mais caras. É preciso mais incentivo, não investimentos vazios ou cortes.
Máquinas e outros assuntos para concluir
Hazlitt ainda debate o alarmismo das máquinas substituírem o homem. Concordo com ele a bom ponto, pois máquinas aumentam produção do produto, mas alguém as tem de manter e construir, por isso abre oportunidades noutros sítios. No entanto, máquinas estão cada vez mais inteligentes e literalmente e só necessitam de supervisão, o que pode trazer mais pessoal para o banco de suplentes. Porém, é totalmente retardado pensar que uma economia progressiva é aquela que tem montes de pessoas com sacos às costas, porque isso é que dá ao Homem que fazer e mantém os ordenados, o que é pura falácia. Desde a nossa génese, nós criámos métodos para facilitar e aumentar produção e qualidade de vida. Precisámos de luz, descobrimos o fogo. Precisámos de cobrir longas distâncias, descobrimos a roda. Evolução tem, até hoje, permitido mais trabalhos e um grande crescimento da população. Agora com a corrida ao espaço, expansão é inevitável incluindo necessidade de mais mão de obra.
Conclusão
Se são totalmente novatos no que cabe à economia, Economia numa só lição é o manual de iniciante a ter. Se são veteranos, muito provavelmente já o leram ou estão estabelecidos o suficiente mais para a direita ou para a esquerda, por isso não devem ter nada de novo. Logo no início, o autor mostra-se intelectualmente honesto, apontando os objetivos da obra e só depois focar-se na sua especialidade. Mesmo para alguém que está, pelo menos, a par do que o governo anda a fazer, não estará a ler nada de brilhante, mas a forma como os exemplos são apresentados e convence o leitor a pensar no grande quadro, permite olhar as notícias com mais atenção e detetar quando boas intenções estarão ultimamente a afetar toda a comunidade.
Economia é como filosofia, é controversa e está aberta ao debate. Opiniões não faltam e ver um socialista e o capitalista às turras é como ver um Criacionista e um Cientista. Ao início promete, mas depois torna-se numa guerra de palavras e definições onde conversão tem prioridade à razão. Qualquer que seja a profissão original, acabam como dois advogados.
Porém, a verdade é que os tempos mudaram, e apesar desta obra ser aplicável no presente, os dados e estatísticas estão sempre a mudar, mas acho óbvio que o ciclo político é sempre o mesmo. Por mais que Hazlitt queira que os erros do passado não se voltem a repetir, eles são inevitáveis e temos de ter o discernimento a todo o custo para manter a ordem democrática e lembrar que um país não é só o partido que está no poder. show less
Quanto ao primeiro ponto já desisti de dizer alguma coisa, mas eventualmente um gajo tem de crescer e orientar as contas, por isso, já que sou um animal político, vamos adicionar economia à lista de cenas que tenho a mania que percebo.
Recomendaram-me Economia em uma lição (Economics in One Lesson) de Henry Hazlitt, como o livro Pop mais claro e fiável sobre economia, e tenho a dizer que foi o melhor livro de não-ficção que li até à data. E o único de economia. Mas para o entender, compensou ler todos os artigos dos jornais.
Comecei por ler a versão de Walter Block de Agosto de 2007, que está muito boa e tem uma introdução pelo próprio autor, mas acabei por encontrar uma versão portuguesa pelo Instituto Ludwig von Mises do Brasil, que está ótimo, por isso vamos lá dar uma jóia aos nossos irmãos.
O Livro tem como objetivo combater falácias que, segundo Hazlitt, são pragas no mundo económico e reforçadas pelos governos, principalmente os mais socialistas. Alguns exemplos incluem: trabalhos públicos promovem bem estar económico, sindicatos e suas leis de salário mínimo aumentam os salários, comércio livre aumenta desemprego, controle de rendas ajuda a dar habitação aos pobres, poupar magoa a economia, lucros são fruto de exploração dos pobres, e por aí.
Hazlit era um leitor voraz, e queria estudar filosofia e psicologia mas foi obrigado a deixar os estudos para sobreviver. Realizou mais que muitos textos académicos mas permaneceu sem credenciais. Nenhuma universidade lhe deu PhD de economia, e quando começou também não percebia nada. No entanto, assim que começou a trabalhar para Wall Street Journal, inteirou-se no assunto e é hoje em dia um autor com obras de referência nas aulas de economia. Parece que nesta altura, trabalho ainda valia mais que canudo e 200ml de tiamina depois da praxe.
Hazlitt ainda tem o seu próprio prefácio, deixando algo bastante claro:
O volume é primariamente uma exposição. Não é pretensioso em clamar originalidade em alguma das ideias expostas. É porém, um esforço que mostra muitas das ideias que passam hoje como inovações brilhantes e progressos, são de facto meras revivificações de antigos erros e mais uma prova do ditado, segundo o qual todos aqueles que ignoram o passado estão condenados a repeti-lo. […] O presente ensaio é, suponho, impudentemente “clássico”, “tradicional” e “ortodoxo”: pelo menos são esses os epítetos com os quais as pessoas procurarão, indubitavelmente, tentar rejeitar essa análise.
O objetivo da obra não é expor e criticar erros específicos de quaisquer autores, mas os erros económicos mais comuns, por isso não fiquem desapontados se não virem mencionados nomes como Karl Marx, Thorsten Vebler ou Lord Keynes. No entanto, as suas políticas, coincidentemente ou não, estão bem presentes. Lembremo-nos ”A noção que podemos dispensar as visões de todos os pensadores anteriores, certamente não deixa nenhuma esperança para que o nosso próprio trabalho tenha algum valor para os outros” - Morris R. Cohen.
Qualquer coincidência com Portugal...é pura coincidência
Vou entrar agora nos pontos que adorei ler e que achei incrivelmente relevantes na situação do nosso país, ou até mesmo qualquer país democrático e Europeu. Pelo menos tendo em memória as notícias que ouvimos no telejornal ou nas reportagens que passam à noitinha para desculpar sermos um país muito transparente no que cabe à política, com noventa minutos ou mais de programa.
Começo pelo base humano que é o interesse próprio, onde o Homem vê somente os efeitos imediatos de uma política, ou os efeitos num só grupo especial, negligenciando os efeitos a longe prazo não só nesse mesmo grupo especial mas também em todos os outros.
Uma economia má vê o que é imediato. Uma economia boa olha sempre em redor.
No entanto, devido à forma como o dinheiro se move e os impostos fazem parte da circulação, levanta-me sem dúvida a questão: considerando as leis a longo termo e o tempo que levam a dar um retorno positivo ao país, serão quatro ou cinco anos de mandato suficientes para que tais se estabeleçam? O risco de descontentamento do eleitor é tal, que um novo partido tomará posse, incluindo novas ideias, anulando qualquer ganho no país em prol de uma vitória política. Porém existe o risco de um mandato longo onde muito saiu e pouco ou nada entrou e foi propriamente investido, tipo como se vê em ditaduras. Apesar de todas as liberdades sociais e económicas que a democracia nos dá, sacrificamos estabilidade e acreditamos nas falsas promessas feitas em campanha. Não é raro tais promessas nunca serem cumpridas ou os governos mudarem de opinião, mas tal não acontece pelo interesse partidário e jogos de poder, ou porque realisticamente não há tempo e as autoridades burocráticas não permitem a flexibilidade necessária para ver os efeitos a longo termo de tais promessas, logo parecendo que chegam convenientemente em altura de eleições, quando na verdade chegaram na altura certa.
Adiante.
Usemos o brilhante exemplo da Janela Partida: um rapazola parte um janela de uma padaria e foge. O pessoal à volta ouve e junta-se a ver o que se passa. O padeiro fica chateado, mas a multidão pensa, “olha que bom, o vidraceiro vai ganhar dinheiro arranjar isto”.
Mas o padeiro é como nós, antes de ter a janela partida, ele tinha tudo intacto e 50€ no bolso guardados para comprar um fato. Agora tem uma janela partida e tem de usar os 50€ para arranjar. Ou seja, fica com uma janela arranjada e nenhum fato. Quem ganhou os 50€ foi o vidraceiro.
Qual a consequência? Assumindo que vivemos em comunidade, neste caso o padeiro vive em comunidade, o alfaiate ficou sem 50€ e sem um cliente, porque perdeu a oportunidade ao vidraceiro. A multidão não está a pensar no alfaiate, só na consequência imediata em que o vidraceiro faz parte. A multidão simboliza aqui o grupo político ou económico que só vê o ganho imediato e não pensa no longo termo algures que no entanto está indiretamente relacionado com a vida não só social mas também económica da comunidade.
Aprendemos aqui a grande Lição: a arte da economia consiste em não olhar meramente para o imediato, mas para os efeitos longo termo de qualquer ato ou política; consiste em traçar as consequências dessa política não só para um grupo mas todos os grupos.
Exemplos Reais
Serve também de exemplo para a falácia que afirma que a destruição cria lucro e emprego. Exemplo: Guerra. Hazlit vem de uma industrialização não muito longe do pós Segunda Grande Guerra, logo o grande medo e ênfase no exemplo. Destruição e reconstrução chamam novos empreiteiros, novas fábricas, novas casas, etc. Enquanto isso, países em guerra e que até estejam mesmo a ganhar não podem ter algo novo nem melhorar o que já têm, porque os recursos estão todos a ir para reconstrução. A única coisa que está a progredir é a autocracia e tecnologia militar, que até pode vir a ter usos no meio civil, mas não economicamente destruindo a nação e quem nela vive. Sun Tzu, 545 e 496 anos Antes de Cristo já tinha chegado a essa conclusão.
Necessidade não dá mais demanda.
Lembram-se do alfaiate? O que há é um desvio da procura do alfaiate para um monte de vidraceiros. Onde o negócio aumenta de um lado, reduz noutro.
Procura e Demanda são dois lados da mesma moeda onde está tudo interligado. Agricultores fornecem trigo e procuram veículos para transportar. O fornecimento de veículos procura produtos para transportar, como o trigo. Agricultores podem produzir mais e quem transporta pode produzir mais. É o normal numa economia de troca.
Questiono-me novamente se as políticas em nome da igualdade estão hoje em dia a subverter estes valores e esta lição.
Talvez este o motivo que levou às más condições e más políticas que afetam qualquer das minorias hoje em dia. Foi uma acumulação de negligencia e que pode ser aplicada a qualquer política social e económica, visto estarem hoje em dia, mais que nunca, relacionadas.
Porém, não acredito tais políticas serem regra, porque apesar da possibilidade de uma subversão mestria por maus economistas, existem políticas que permitem as autoridades agir de forma rápida e abrir investigações favorecendo as vítimas com provas claras. Provas que até são também consequências imediatas a usar contra os grupos predatórios.
Embora a ideia tenha boas intenções, como oportunidade igual e salário igual, o método de aplicação está novamente a ter em conta somente o efeito imediato nos grupos e não as consequências que terá na sociedade no seu grande esquema. A multidão aplaude o vidraceiro e ignora o alfaiate. Sem dúvida em que há casos sem exemplo, mas estes devem ser usados como um erro a não cometer e não como alarmes para uma regra que não existe. Analisando os dados propriamente e os que envolvem uma grande diligência como tempo de trabalho, tipo, hierarquia e até mesmo personalidade e saúde, vemos que maus exemplos não são a regra mas ainda assim priorizados. As políticas estão novamente em pleno Sec. XXI a favorecer o grupo de campanha e não a prosperidade de toda a comunidade.
O milagre de todos os males económicos, é investir dinheiro. Desemprego? Cria “poder de compra privada”. Industria estagnada? Investe-se.
Problemas no interior do País
Claramente, gastos governamentais em obras públicas são necessários, como ruas, estradas e qualquer infraestrutura. Permitem melhor circulação de produtos, logo mais produção e mais lucro. O problema está nos chamados “Projetos”. Aqueles que estão sempre a criar empregos para poder subir a inflação.
Aqueles projetos espetaculares que supostamente trazem pessoal para o interior mas fica tudo em águas de bacalhau, desses que há aos montes.
Imaginem uma ponte. Se for para resolver um problema de circulação na zona e que permitam melhor transporte, tudo bem. Mas, Quando oferecer emprego constitui um fim, a necessidade torna-se uma consideração subordinada. Tem-se que inventar “projetos”. Em vez de pensarem apenas nos locais em que devem ser construídas as pontes, os responsáveis pelo dinheiro público começam a indagar a si mesmos onde podem construí-las.
O que se vê de imediato, é que criou centenas de postos de trabalho durante a construção da ponte, e a construção civil enche, e muito bem, o pote. Mas depois, para manter a ponte, são precisos milhões que são taxados aos contribuintes das mais variáveis formas legais. Montante que seria usado pelos mesmos contribuintes para melhorar a sua qualidade de vida, e agora está a ser taxado num projeto que é ultimamente inútil e que muitas vezes acaba ser abandonado, curiosamente, mais ao menos ao mesmo tempo que acaba a campanha ou o prometedor perde as eleições. Curioso. Muito.
No entanto, estas obras continuam a ser reforçadas porque ao mesmo tempo, se correm bem e estão na altura certa apesar das “más” intenções, passa tudo ao lado. Mas quem está atento e olha bem para aquela ponte, começa a pensar no cultivo que não foi feito, nas casas que não foram melhoradas, nas coisas que não foram fabricadas nem vendidas, e que ultimamente não trouxeram melhoria nenhuma para a economia local e por consequência, o país. E assim o interior fica na guerra da relevância, e leva com composições sobre o porquê da população gostar e estar toda a vir para o litoral.
O mesmo pode acontecer com projetos públicos como habitações para os mais necessitados. Não entrando em moral e focando simplesmente no modelo económico, estes são taxados do contribuinte que paga mais renda e em alguma percentagem, do contribuinte que procura rendas menores.
Mister Taxinhas e Senhora Ambiente
Se uma corporação perde 100 cêntimos por cada Euro que perde, e só lhe é permitida ficar com 60 cêntimos por cada euro que ganha, enquanto ainda está a tentar compensar os anos de perda com os de ganho, as políticas são afetadas. O empreendedor não pode expandir operações, contratar mais empregados e não consegue atualizar ou melhorar o equipamento a bom tempo, impedindo assim o consumidor de comprar produtos melhores e a menor preço. E assim, os salários são afetados.
Durante anos, o capital é taxado antes de ser acumulado.
Abriu-me a questão daquelas taxas que querem pôr do açúcar, do sal e do sol que me dá na casa. Já sabemos que o dinheiro contribuinte que poderia ir para melhorar infraestrutura e qualidade de vida vai com os pintos, agora imaginem para onde vai o que é cortado nestas mesquinhices todas em nome do ambiente.
É um facto, culpa humana ou não, alarmante ou não, que as mudanças climáticas existem e que altas taxas de massa gorda fazem mal. Recursos infinitos ou não, o certo é que mina-los é tóxico nem que seja só para as populações imediatas, criando todo o tipo de problemas de saúde pública. No entanto duvido completamente que tais taxas venham a fazer alguma coisa de bom, especialmente para o consumidor. Não há garantias que o valor taxado seja usado na educação e adoção de políticas que permitam ao consumidor preferir comidas ditas saudáveis. O consumidor não é burro. É descuidado e quer satisfazer-se. Tais taxas só servem para aumentar o preço dos produtos, que tira dinheiro que poderia ser usado noutras coisas e ainda afetam a demanda e os salários dos produtores. Se forçam o consumidor a não comprar coisas sem muito sal, em vez de educar os produtores e o comércio a produzir saudavelmente, o que vai acontecer é que os produtores vão ter o seu trabalho e salário comprometido. Infelizmente, se querem ajudar o moço pobre a produzir sapatilhas na Tailândia, têm de comprar as sapatilhas feitas pelo moço. Não comprar, vai afetar o seu trabalho e por consequência piorar as condições de trabalho. Infelizmente, somos impotentes, mas a melhor esperança para o moço é certificar que ele mantém as condições e que as políticas da Tailândia permitam, no mínimo, fazer a vida mais fácil a quem está nesta situação. Porque se o moço não recebe o seu salário, algo ainda pior o espera e à sua família.
O mesmo acontece ao se aplicar taxas atrás de taxas em nome do ambiente, em vez de investir em obras públicas reais. Em vez disso, temos o equivalente de “Projetos” no ambiente. Querem aumentar o número de legumes e soja para bem do ambiente, entretanto em África, território que antes era de tigres, leões e elefantes, pertence agora a plantações de soja, enquanto as espécies morrem. Mais um exemplo primário de só verem o que tem à frente em nome das boas intenções.
Al Gore prometeu-nos que as tecnologias amigáveis do ambiente estariam mais baratas e mais acessíveis e no entanto, mantém-se entre as mais caras. É preciso mais incentivo, não investimentos vazios ou cortes.
Máquinas e outros assuntos para concluir
Hazlitt ainda debate o alarmismo das máquinas substituírem o homem. Concordo com ele a bom ponto, pois máquinas aumentam produção do produto, mas alguém as tem de manter e construir, por isso abre oportunidades noutros sítios. No entanto, máquinas estão cada vez mais inteligentes e literalmente e só necessitam de supervisão, o que pode trazer mais pessoal para o banco de suplentes. Porém, é totalmente retardado pensar que uma economia progressiva é aquela que tem montes de pessoas com sacos às costas, porque isso é que dá ao Homem que fazer e mantém os ordenados, o que é pura falácia. Desde a nossa génese, nós criámos métodos para facilitar e aumentar produção e qualidade de vida. Precisámos de luz, descobrimos o fogo. Precisámos de cobrir longas distâncias, descobrimos a roda. Evolução tem, até hoje, permitido mais trabalhos e um grande crescimento da população. Agora com a corrida ao espaço, expansão é inevitável incluindo necessidade de mais mão de obra.
Conclusão
Se são totalmente novatos no que cabe à economia, Economia numa só lição é o manual de iniciante a ter. Se são veteranos, muito provavelmente já o leram ou estão estabelecidos o suficiente mais para a direita ou para a esquerda, por isso não devem ter nada de novo. Logo no início, o autor mostra-se intelectualmente honesto, apontando os objetivos da obra e só depois focar-se na sua especialidade. Mesmo para alguém que está, pelo menos, a par do que o governo anda a fazer, não estará a ler nada de brilhante, mas a forma como os exemplos são apresentados e convence o leitor a pensar no grande quadro, permite olhar as notícias com mais atenção e detetar quando boas intenções estarão ultimamente a afetar toda a comunidade.
Economia é como filosofia, é controversa e está aberta ao debate. Opiniões não faltam e ver um socialista e o capitalista às turras é como ver um Criacionista e um Cientista. Ao início promete, mas depois torna-se numa guerra de palavras e definições onde conversão tem prioridade à razão. Qualquer que seja a profissão original, acabam como dois advogados.
Porém, a verdade é que os tempos mudaram, e apesar desta obra ser aplicável no presente, os dados e estatísticas estão sempre a mudar, mas acho óbvio que o ciclo político é sempre o mesmo. Por mais que Hazlitt queira que os erros do passado não se voltem a repetir, eles são inevitáveis e temos de ter o discernimento a todo o custo para manter a ordem democrática e lembrar que um país não é só o partido que está no poder. show less
Juntamente com o meu interesse em psicologia, veio inevitavelmente o bicho da política. Houve uns anos em que pensava que anarquia era uma coisa fixe e que fazia todo o sentido, especialmente quando acompanhada com Punk Rock e Heavy Metal, e uma ocasional saudade da minha alegre casinha. As “gajas” eram outro motivo, visto teoricamente haver ‘mais à vontade’. Descobri que para tirar partido dos benefícios da anarquia são precisos, nada ironicamente, três coisas: ser atraente, show more não crescer e não entender muito de economia. Afinal, que outra coisa esperar da ideologia que acredita que a convivência entre os seres humanos é simplesmente determinada pela vontade e razão de cada um. Vontade essa que não nega ordem social, mas continua cheia de malucos, já que utopias não são sinais muito bons de sanidade.
Quanto ao primeiro ponto já desisti de dizer alguma coisa, mas eventualmente um gajo tem de crescer e orientar as contas, por isso, já que sou um animal político, vamos adicionar economia à lista de cenas que tenho a mania que percebo.
Recomendaram-me Economia em uma lição (Economics in One Lesson) de Henry Hazlitt, como o livro Pop mais claro e fiável sobre economia, e tenho a dizer que foi o melhor livro de não-ficção que li até à data. E o único de economia. Mas para o entender, compensou ler todos os artigos dos jornais.
Comecei por ler a versão de Walter Block de Agosto de 2007, que está muito boa e tem uma introdução pelo próprio autor, mas acabei por encontrar uma versão portuguesa pelo Instituto Ludwig von Mises do Brasil, que está ótimo, por isso vamos lá dar uma jóia aos nossos irmãos.
O Livro tem como objetivo combater falácias que, segundo Hazlitt, são pragas no mundo económico e reforçadas pelos governos, principalmente os mais socialistas. Alguns exemplos incluem: trabalhos públicos promovem bem estar económico, sindicatos e suas leis de salário mínimo aumentam os salários, comércio livre aumenta desemprego, controle de rendas ajuda a dar habitação aos pobres, poupar magoa a economia, lucros são fruto de exploração dos pobres, e por aí.
Hazlit era um leitor voraz, e queria estudar filosofia e psicologia mas foi obrigado a deixar os estudos para sobreviver. Realizou mais que muitos textos académicos mas permaneceu sem credenciais. Nenhuma universidade lhe deu PhD de economia, e quando começou também não percebia nada. No entanto, assim que começou a trabalhar para Wall Street Journal, inteirou-se no assunto e é hoje em dia um autor com obras de referência nas aulas de economia. Parece que nesta altura, trabalho ainda valia mais que canudo e 200ml de tiamina depois da praxe.
Hazlitt ainda tem o seu próprio prefácio, deixando algo bastante claro:
O volume é primariamente uma exposição. Não é pretensioso em clamar originalidade em alguma das ideias expostas. É porém, um esforço que mostra muitas das ideias que passam hoje como inovações brilhantes e progressos, são de facto meras revivificações de antigos erros e mais uma prova do ditado, segundo o qual todos aqueles que ignoram o passado estão condenados a repeti-lo. […] O presente ensaio é, suponho, impudentemente “clássico”, “tradicional” e “ortodoxo”: pelo menos são esses os epítetos com os quais as pessoas procurarão, indubitavelmente, tentar rejeitar essa análise.
O objetivo da obra não é expor e criticar erros específicos de quaisquer autores, mas os erros económicos mais comuns, por isso não fiquem desapontados se não virem mencionados nomes como Karl Marx, Thorsten Vebler ou Lord Keynes. No entanto, as suas políticas, coincidentemente ou não, estão bem presentes. Lembremo-nos ”A noção que podemos dispensar as visões de todos os pensadores anteriores, certamente não deixa nenhuma esperança para que o nosso próprio trabalho tenha algum valor para os outros” - Morris R. Cohen.
Qualquer coincidência com Portugal...é pura coincidência
Vou entrar agora nos pontos que adorei ler e que achei incrivelmente relevantes na situação do nosso país, ou até mesmo qualquer país democrático e Europeu. Pelo menos tendo em memória as notícias que ouvimos no telejornal ou nas reportagens que passam à noitinha para desculpar sermos um país muito transparente no que cabe à política, com noventa minutos ou mais de programa.
Começo pelo base humano que é o interesse próprio, onde o Homem vê somente os efeitos imediatos de uma política, ou os efeitos num só grupo especial, negligenciando os efeitos a longe prazo não só nesse mesmo grupo especial mas também em todos os outros.
Uma economia má vê o que é imediato. Uma economia boa olha sempre em redor.
No entanto, devido à forma como o dinheiro se move e os impostos fazem parte da circulação, levanta-me sem dúvida a questão: considerando as leis a longo termo e o tempo que levam a dar um retorno positivo ao país, serão quatro ou cinco anos de mandato suficientes para que tais se estabeleçam? O risco de descontentamento do eleitor é tal, que um novo partido tomará posse, incluindo novas ideias, anulando qualquer ganho no país em prol de uma vitória política. Porém existe o risco de um mandato longo onde muito saiu e pouco ou nada entrou e foi propriamente investido, tipo como se vê em ditaduras. Apesar de todas as liberdades sociais e económicas que a democracia nos dá, sacrificamos estabilidade e acreditamos nas falsas promessas feitas em campanha. Não é raro tais promessas nunca serem cumpridas ou os governos mudarem de opinião, mas tal não acontece pelo interesse partidário e jogos de poder, ou porque realisticamente não há tempo e as autoridades burocráticas não permitem a flexibilidade necessária para ver os efeitos a longo termo de tais promessas, logo parecendo que chegam convenientemente em altura de eleições, quando na verdade chegaram na altura certa.
Adiante.
Usemos o brilhante exemplo da Janela Partida: um rapazola parte um janela de uma padaria e foge. O pessoal à volta ouve e junta-se a ver o que se passa. O padeiro fica chateado, mas a multidão pensa, “olha que bom, o vidraceiro vai ganhar dinheiro arranjar isto”.
Mas o padeiro é como nós, antes de ter a janela partida, ele tinha tudo intacto e 50€ no bolso guardados para comprar um fato. Agora tem uma janela partida e tem de usar os 50€ para arranjar. Ou seja, fica com uma janela arranjada e nenhum fato. Quem ganhou os 50€ foi o vidraceiro.
Qual a consequência? Assumindo que vivemos em comunidade, neste caso o padeiro vive em comunidade, o alfaiate ficou sem 50€ e sem um cliente, porque perdeu a oportunidade ao vidraceiro. A multidão não está a pensar no alfaiate, só na consequência imediata em que o vidraceiro faz parte. A multidão simboliza aqui o grupo político ou económico que só vê o ganho imediato e não pensa no longo termo algures que no entanto está indiretamente relacionado com a vida não só social mas também económica da comunidade.
Aprendemos aqui a grande Lição: a arte da economia consiste em não olhar meramente para o imediato, mas para os efeitos longo termo de qualquer ato ou política; consiste em traçar as consequências dessa política não só para um grupo mas todos os grupos.
Exemplos Reais
Serve também de exemplo para a falácia que afirma que a destruição cria lucro e emprego. Exemplo: Guerra. Hazlit vem de uma industrialização não muito longe do pós Segunda Grande Guerra, logo o grande medo e ênfase no exemplo. Destruição e reconstrução chamam novos empreiteiros, novas fábricas, novas casas, etc. Enquanto isso, países em guerra e que até estejam mesmo a ganhar não podem ter algo novo nem melhorar o que já têm, porque os recursos estão todos a ir para reconstrução. A única coisa que está a progredir é a autocracia e tecnologia militar, que até pode vir a ter usos no meio civil, mas não economicamente destruindo a nação e quem nela vive. Sun Tzu, 545 e 496 anos Antes de Cristo já tinha chegado a essa conclusão.
Necessidade não dá mais demanda.
Lembram-se do alfaiate? O que há é um desvio da procura do alfaiate para um monte de vidraceiros. Onde o negócio aumenta de um lado, reduz noutro.
Procura e Demanda são dois lados da mesma moeda onde está tudo interligado. Agricultores fornecem trigo e procuram veículos para transportar. O fornecimento de veículos procura produtos para transportar, como o trigo. Agricultores podem produzir mais e quem transporta pode produzir mais. É o normal numa economia de troca.
Questiono-me novamente se as políticas em nome da igualdade estão hoje em dia a subverter estes valores e esta lição.
Talvez este o motivo que levou às más condições e más políticas que afetam qualquer das minorias hoje em dia. Foi uma acumulação de negligencia e que pode ser aplicada a qualquer política social e económica, visto estarem hoje em dia, mais que nunca, relacionadas.
Porém, não acredito tais políticas serem regra, porque apesar da possibilidade de uma subversão mestria por maus economistas, existem políticas que permitem as autoridades agir de forma rápida e abrir investigações favorecendo as vítimas com provas claras. Provas que até são também consequências imediatas a usar contra os grupos predatórios.
Embora a ideia tenha boas intenções, como oportunidade igual e salário igual, o método de aplicação está novamente a ter em conta somente o efeito imediato nos grupos e não as consequências que terá na sociedade no seu grande esquema. A multidão aplaude o vidraceiro e ignora o alfaiate. Sem dúvida em que há casos sem exemplo, mas estes devem ser usados como um erro a não cometer e não como alarmes para uma regra que não existe. Analisando os dados propriamente e os que envolvem uma grande diligência como tempo de trabalho, tipo, hierarquia e até mesmo personalidade e saúde, vemos que maus exemplos não são a regra mas ainda assim priorizados. As políticas estão novamente em pleno Sec. XXI a favorecer o grupo de campanha e não a prosperidade de toda a comunidade.
O milagre de todos os males económicos, é investir dinheiro. Desemprego? Cria “poder de compra privada”. Industria estagnada? Investe-se.
Problemas no interior do País
Claramente, gastos governamentais em obras públicas são necessários, como ruas, estradas e qualquer infraestrutura. Permitem melhor circulação de produtos, logo mais produção e mais lucro. O problema está nos chamados “Projetos”. Aqueles que estão sempre a criar empregos para poder subir a inflação.
Aqueles projetos espetaculares que supostamente trazem pessoal para o interior mas fica tudo em águas de bacalhau, desses que há aos montes.
Imaginem uma ponte. Se for para resolver um problema de circulação na zona e que permitam melhor transporte, tudo bem. Mas, Quando oferecer emprego constitui um fim, a necessidade torna-se uma consideração subordinada. Tem-se que inventar “projetos”. Em vez de pensarem apenas nos locais em que devem ser construídas as pontes, os responsáveis pelo dinheiro público começam a indagar a si mesmos onde podem construí-las.
O que se vê de imediato, é que criou centenas de postos de trabalho durante a construção da ponte, e a construção civil enche, e muito bem, o pote. Mas depois, para manter a ponte, são precisos milhões que são taxados aos contribuintes das mais variáveis formas legais. Montante que seria usado pelos mesmos contribuintes para melhorar a sua qualidade de vida, e agora está a ser taxado num projeto que é ultimamente inútil e que muitas vezes acaba ser abandonado, curiosamente, mais ao menos ao mesmo tempo que acaba a campanha ou o prometedor perde as eleições. Curioso. Muito.
No entanto, estas obras continuam a ser reforçadas porque ao mesmo tempo, se correm bem e estão na altura certa apesar das “más” intenções, passa tudo ao lado. Mas quem está atento e olha bem para aquela ponte, começa a pensar no cultivo que não foi feito, nas casas que não foram melhoradas, nas coisas que não foram fabricadas nem vendidas, e que ultimamente não trouxeram melhoria nenhuma para a economia local e por consequência, o país. E assim o interior fica na guerra da relevância, e leva com composições sobre o porquê da população gostar e estar toda a vir para o litoral.
O mesmo pode acontecer com projetos públicos como habitações para os mais necessitados. Não entrando em moral e focando simplesmente no modelo económico, estes são taxados do contribuinte que paga mais renda e em alguma percentagem, do contribuinte que procura rendas menores.
Mister Taxinhas e Senhora Ambiente
Se uma corporação perde 100 cêntimos por cada Euro que perde, e só lhe é permitida ficar com 60 cêntimos por cada euro que ganha, enquanto ainda está a tentar compensar os anos de perda com os de ganho, as políticas são afetadas. O empreendedor não pode expandir operações, contratar mais empregados e não consegue atualizar ou melhorar o equipamento a bom tempo, impedindo assim o consumidor de comprar produtos melhores e a menor preço. E assim, os salários são afetados.
Durante anos, o capital é taxado antes de ser acumulado.
Abriu-me a questão daquelas taxas que querem pôr do açúcar, do sal e do sol que me dá na casa. Já sabemos que o dinheiro contribuinte que poderia ir para melhorar infraestrutura e qualidade de vida vai com os pintos, agora imaginem para onde vai o que é cortado nestas mesquinhices todas em nome do ambiente.
É um facto, culpa humana ou não, alarmante ou não, que as mudanças climáticas existem e que altas taxas de massa gorda fazem mal. Recursos infinitos ou não, o certo é que mina-los é tóxico nem que seja só para as populações imediatas, criando todo o tipo de problemas de saúde pública. No entanto duvido completamente que tais taxas venham a fazer alguma coisa de bom, especialmente para o consumidor. Não há garantias que o valor taxado seja usado na educação e adoção de políticas que permitam ao consumidor preferir comidas ditas saudáveis. O consumidor não é burro. É descuidado e quer satisfazer-se. Tais taxas só servem para aumentar o preço dos produtos, que tira dinheiro que poderia ser usado noutras coisas e ainda afetam a demanda e os salários dos produtores. Se forçam o consumidor a não comprar coisas sem muito sal, em vez de educar os produtores e o comércio a produzir saudavelmente, o que vai acontecer é que os produtores vão ter o seu trabalho e salário comprometido. Infelizmente, se querem ajudar o moço pobre a produzir sapatilhas na Tailândia, têm de comprar as sapatilhas feitas pelo moço. Não comprar, vai afetar o seu trabalho e por consequência piorar as condições de trabalho. Infelizmente, somos impotentes, mas a melhor esperança para o moço é certificar que ele mantém as condições e que as políticas da Tailândia permitam, no mínimo, fazer a vida mais fácil a quem está nesta situação. Porque se o moço não recebe o seu salário, algo ainda pior o espera e à sua família.
O mesmo acontece ao se aplicar taxas atrás de taxas em nome do ambiente, em vez de investir em obras públicas reais. Em vez disso, temos o equivalente de “Projetos” no ambiente. Querem aumentar o número de legumes e soja para bem do ambiente, entretanto em África, território que antes era de tigres, leões e elefantes, pertence agora a plantações de soja, enquanto as espécies morrem. Mais um exemplo primário de só verem o que tem à frente em nome das boas intenções.
Al Gore prometeu-nos que as tecnologias amigáveis do ambiente estariam mais baratas e mais acessíveis e no entanto, mantém-se entre as mais caras. É preciso mais incentivo, não investimentos vazios ou cortes.
Máquinas e outros assuntos para concluir
Hazlitt ainda debate o alarmismo das máquinas substituírem o homem. Concordo com ele a bom ponto, pois máquinas aumentam produção do produto, mas alguém as tem de manter e construir, por isso abre oportunidades noutros sítios. No entanto, máquinas estão cada vez mais inteligentes e literalmente e só necessitam de supervisão, o que pode trazer mais pessoal para o banco de suplentes. Porém, é totalmente retardado pensar que uma economia progressiva é aquela que tem montes de pessoas com sacos às costas, porque isso é que dá ao Homem que fazer e mantém os ordenados, o que é pura falácia. Desde a nossa génese, nós criámos métodos para facilitar e aumentar produção e qualidade de vida. Precisámos de luz, descobrimos o fogo. Precisámos de cobrir longas distâncias, descobrimos a roda. Evolução tem, até hoje, permitido mais trabalhos e um grande crescimento da população. Agora com a corrida ao espaço, expansão é inevitável incluindo necessidade de mais mão de obra.
Conclusão
Se são totalmente novatos no que cabe à economia, Economia numa só lição é o manual de iniciante a ter. Se são veteranos, muito provavelmente já o leram ou estão estabelecidos o suficiente mais para a direita ou para a esquerda, por isso não devem ter nada de novo. Logo no início, o autor mostra-se intelectualmente honesto, apontando os objetivos da obra e só depois focar-se na sua especialidade. Mesmo para alguém que está, pelo menos, a par do que o governo anda a fazer, não estará a ler nada de brilhante, mas a forma como os exemplos são apresentados e convence o leitor a pensar no grande quadro, permite olhar as notícias com mais atenção e detetar quando boas intenções estarão ultimamente a afetar toda a comunidade.
Economia é como filosofia, é controversa e está aberta ao debate. Opiniões não faltam e ver um socialista e o capitalista às turras é como ver um Criacionista e um Cientista. Ao início promete, mas depois torna-se numa guerra de palavras e definições onde conversão tem prioridade à razão. Qualquer que seja a profissão original, acabam como dois advogados.
Porém, a verdade é que os tempos mudaram, e apesar desta obra ser aplicável no presente, os dados e estatísticas estão sempre a mudar, mas acho óbvio que o ciclo político é sempre o mesmo. Por mais que Hazlitt queira que os erros do passado não se voltem a repetir, eles são inevitáveis e temos de ter o discernimento a todo o custo para manter a ordem democrática e lembrar que um país não é só o partido que está no poder. show less
Quanto ao primeiro ponto já desisti de dizer alguma coisa, mas eventualmente um gajo tem de crescer e orientar as contas, por isso, já que sou um animal político, vamos adicionar economia à lista de cenas que tenho a mania que percebo.
Recomendaram-me Economia em uma lição (Economics in One Lesson) de Henry Hazlitt, como o livro Pop mais claro e fiável sobre economia, e tenho a dizer que foi o melhor livro de não-ficção que li até à data. E o único de economia. Mas para o entender, compensou ler todos os artigos dos jornais.
Comecei por ler a versão de Walter Block de Agosto de 2007, que está muito boa e tem uma introdução pelo próprio autor, mas acabei por encontrar uma versão portuguesa pelo Instituto Ludwig von Mises do Brasil, que está ótimo, por isso vamos lá dar uma jóia aos nossos irmãos.
O Livro tem como objetivo combater falácias que, segundo Hazlitt, são pragas no mundo económico e reforçadas pelos governos, principalmente os mais socialistas. Alguns exemplos incluem: trabalhos públicos promovem bem estar económico, sindicatos e suas leis de salário mínimo aumentam os salários, comércio livre aumenta desemprego, controle de rendas ajuda a dar habitação aos pobres, poupar magoa a economia, lucros são fruto de exploração dos pobres, e por aí.
Hazlit era um leitor voraz, e queria estudar filosofia e psicologia mas foi obrigado a deixar os estudos para sobreviver. Realizou mais que muitos textos académicos mas permaneceu sem credenciais. Nenhuma universidade lhe deu PhD de economia, e quando começou também não percebia nada. No entanto, assim que começou a trabalhar para Wall Street Journal, inteirou-se no assunto e é hoje em dia um autor com obras de referência nas aulas de economia. Parece que nesta altura, trabalho ainda valia mais que canudo e 200ml de tiamina depois da praxe.
Hazlitt ainda tem o seu próprio prefácio, deixando algo bastante claro:
O volume é primariamente uma exposição. Não é pretensioso em clamar originalidade em alguma das ideias expostas. É porém, um esforço que mostra muitas das ideias que passam hoje como inovações brilhantes e progressos, são de facto meras revivificações de antigos erros e mais uma prova do ditado, segundo o qual todos aqueles que ignoram o passado estão condenados a repeti-lo. […] O presente ensaio é, suponho, impudentemente “clássico”, “tradicional” e “ortodoxo”: pelo menos são esses os epítetos com os quais as pessoas procurarão, indubitavelmente, tentar rejeitar essa análise.
O objetivo da obra não é expor e criticar erros específicos de quaisquer autores, mas os erros económicos mais comuns, por isso não fiquem desapontados se não virem mencionados nomes como Karl Marx, Thorsten Vebler ou Lord Keynes. No entanto, as suas políticas, coincidentemente ou não, estão bem presentes. Lembremo-nos ”A noção que podemos dispensar as visões de todos os pensadores anteriores, certamente não deixa nenhuma esperança para que o nosso próprio trabalho tenha algum valor para os outros” - Morris R. Cohen.
Qualquer coincidência com Portugal...é pura coincidência
Vou entrar agora nos pontos que adorei ler e que achei incrivelmente relevantes na situação do nosso país, ou até mesmo qualquer país democrático e Europeu. Pelo menos tendo em memória as notícias que ouvimos no telejornal ou nas reportagens que passam à noitinha para desculpar sermos um país muito transparente no que cabe à política, com noventa minutos ou mais de programa.
Começo pelo base humano que é o interesse próprio, onde o Homem vê somente os efeitos imediatos de uma política, ou os efeitos num só grupo especial, negligenciando os efeitos a longe prazo não só nesse mesmo grupo especial mas também em todos os outros.
Uma economia má vê o que é imediato. Uma economia boa olha sempre em redor.
No entanto, devido à forma como o dinheiro se move e os impostos fazem parte da circulação, levanta-me sem dúvida a questão: considerando as leis a longo termo e o tempo que levam a dar um retorno positivo ao país, serão quatro ou cinco anos de mandato suficientes para que tais se estabeleçam? O risco de descontentamento do eleitor é tal, que um novo partido tomará posse, incluindo novas ideias, anulando qualquer ganho no país em prol de uma vitória política. Porém existe o risco de um mandato longo onde muito saiu e pouco ou nada entrou e foi propriamente investido, tipo como se vê em ditaduras. Apesar de todas as liberdades sociais e económicas que a democracia nos dá, sacrificamos estabilidade e acreditamos nas falsas promessas feitas em campanha. Não é raro tais promessas nunca serem cumpridas ou os governos mudarem de opinião, mas tal não acontece pelo interesse partidário e jogos de poder, ou porque realisticamente não há tempo e as autoridades burocráticas não permitem a flexibilidade necessária para ver os efeitos a longo termo de tais promessas, logo parecendo que chegam convenientemente em altura de eleições, quando na verdade chegaram na altura certa.
Adiante.
Usemos o brilhante exemplo da Janela Partida: um rapazola parte um janela de uma padaria e foge. O pessoal à volta ouve e junta-se a ver o que se passa. O padeiro fica chateado, mas a multidão pensa, “olha que bom, o vidraceiro vai ganhar dinheiro arranjar isto”.
Mas o padeiro é como nós, antes de ter a janela partida, ele tinha tudo intacto e 50€ no bolso guardados para comprar um fato. Agora tem uma janela partida e tem de usar os 50€ para arranjar. Ou seja, fica com uma janela arranjada e nenhum fato. Quem ganhou os 50€ foi o vidraceiro.
Qual a consequência? Assumindo que vivemos em comunidade, neste caso o padeiro vive em comunidade, o alfaiate ficou sem 50€ e sem um cliente, porque perdeu a oportunidade ao vidraceiro. A multidão não está a pensar no alfaiate, só na consequência imediata em que o vidraceiro faz parte. A multidão simboliza aqui o grupo político ou económico que só vê o ganho imediato e não pensa no longo termo algures que no entanto está indiretamente relacionado com a vida não só social mas também económica da comunidade.
Aprendemos aqui a grande Lição: a arte da economia consiste em não olhar meramente para o imediato, mas para os efeitos longo termo de qualquer ato ou política; consiste em traçar as consequências dessa política não só para um grupo mas todos os grupos.
Exemplos Reais
Serve também de exemplo para a falácia que afirma que a destruição cria lucro e emprego. Exemplo: Guerra. Hazlit vem de uma industrialização não muito longe do pós Segunda Grande Guerra, logo o grande medo e ênfase no exemplo. Destruição e reconstrução chamam novos empreiteiros, novas fábricas, novas casas, etc. Enquanto isso, países em guerra e que até estejam mesmo a ganhar não podem ter algo novo nem melhorar o que já têm, porque os recursos estão todos a ir para reconstrução. A única coisa que está a progredir é a autocracia e tecnologia militar, que até pode vir a ter usos no meio civil, mas não economicamente destruindo a nação e quem nela vive. Sun Tzu, 545 e 496 anos Antes de Cristo já tinha chegado a essa conclusão.
Necessidade não dá mais demanda.
Lembram-se do alfaiate? O que há é um desvio da procura do alfaiate para um monte de vidraceiros. Onde o negócio aumenta de um lado, reduz noutro.
Procura e Demanda são dois lados da mesma moeda onde está tudo interligado. Agricultores fornecem trigo e procuram veículos para transportar. O fornecimento de veículos procura produtos para transportar, como o trigo. Agricultores podem produzir mais e quem transporta pode produzir mais. É o normal numa economia de troca.
Questiono-me novamente se as políticas em nome da igualdade estão hoje em dia a subverter estes valores e esta lição.
Talvez este o motivo que levou às más condições e más políticas que afetam qualquer das minorias hoje em dia. Foi uma acumulação de negligencia e que pode ser aplicada a qualquer política social e económica, visto estarem hoje em dia, mais que nunca, relacionadas.
Porém, não acredito tais políticas serem regra, porque apesar da possibilidade de uma subversão mestria por maus economistas, existem políticas que permitem as autoridades agir de forma rápida e abrir investigações favorecendo as vítimas com provas claras. Provas que até são também consequências imediatas a usar contra os grupos predatórios.
Embora a ideia tenha boas intenções, como oportunidade igual e salário igual, o método de aplicação está novamente a ter em conta somente o efeito imediato nos grupos e não as consequências que terá na sociedade no seu grande esquema. A multidão aplaude o vidraceiro e ignora o alfaiate. Sem dúvida em que há casos sem exemplo, mas estes devem ser usados como um erro a não cometer e não como alarmes para uma regra que não existe. Analisando os dados propriamente e os que envolvem uma grande diligência como tempo de trabalho, tipo, hierarquia e até mesmo personalidade e saúde, vemos que maus exemplos não são a regra mas ainda assim priorizados. As políticas estão novamente em pleno Sec. XXI a favorecer o grupo de campanha e não a prosperidade de toda a comunidade.
O milagre de todos os males económicos, é investir dinheiro. Desemprego? Cria “poder de compra privada”. Industria estagnada? Investe-se.
Problemas no interior do País
Claramente, gastos governamentais em obras públicas são necessários, como ruas, estradas e qualquer infraestrutura. Permitem melhor circulação de produtos, logo mais produção e mais lucro. O problema está nos chamados “Projetos”. Aqueles que estão sempre a criar empregos para poder subir a inflação.
Aqueles projetos espetaculares que supostamente trazem pessoal para o interior mas fica tudo em águas de bacalhau, desses que há aos montes.
Imaginem uma ponte. Se for para resolver um problema de circulação na zona e que permitam melhor transporte, tudo bem. Mas, Quando oferecer emprego constitui um fim, a necessidade torna-se uma consideração subordinada. Tem-se que inventar “projetos”. Em vez de pensarem apenas nos locais em que devem ser construídas as pontes, os responsáveis pelo dinheiro público começam a indagar a si mesmos onde podem construí-las.
O que se vê de imediato, é que criou centenas de postos de trabalho durante a construção da ponte, e a construção civil enche, e muito bem, o pote. Mas depois, para manter a ponte, são precisos milhões que são taxados aos contribuintes das mais variáveis formas legais. Montante que seria usado pelos mesmos contribuintes para melhorar a sua qualidade de vida, e agora está a ser taxado num projeto que é ultimamente inútil e que muitas vezes acaba ser abandonado, curiosamente, mais ao menos ao mesmo tempo que acaba a campanha ou o prometedor perde as eleições. Curioso. Muito.
No entanto, estas obras continuam a ser reforçadas porque ao mesmo tempo, se correm bem e estão na altura certa apesar das “más” intenções, passa tudo ao lado. Mas quem está atento e olha bem para aquela ponte, começa a pensar no cultivo que não foi feito, nas casas que não foram melhoradas, nas coisas que não foram fabricadas nem vendidas, e que ultimamente não trouxeram melhoria nenhuma para a economia local e por consequência, o país. E assim o interior fica na guerra da relevância, e leva com composições sobre o porquê da população gostar e estar toda a vir para o litoral.
O mesmo pode acontecer com projetos públicos como habitações para os mais necessitados. Não entrando em moral e focando simplesmente no modelo económico, estes são taxados do contribuinte que paga mais renda e em alguma percentagem, do contribuinte que procura rendas menores.
Mister Taxinhas e Senhora Ambiente
Se uma corporação perde 100 cêntimos por cada Euro que perde, e só lhe é permitida ficar com 60 cêntimos por cada euro que ganha, enquanto ainda está a tentar compensar os anos de perda com os de ganho, as políticas são afetadas. O empreendedor não pode expandir operações, contratar mais empregados e não consegue atualizar ou melhorar o equipamento a bom tempo, impedindo assim o consumidor de comprar produtos melhores e a menor preço. E assim, os salários são afetados.
Durante anos, o capital é taxado antes de ser acumulado.
Abriu-me a questão daquelas taxas que querem pôr do açúcar, do sal e do sol que me dá na casa. Já sabemos que o dinheiro contribuinte que poderia ir para melhorar infraestrutura e qualidade de vida vai com os pintos, agora imaginem para onde vai o que é cortado nestas mesquinhices todas em nome do ambiente.
É um facto, culpa humana ou não, alarmante ou não, que as mudanças climáticas existem e que altas taxas de massa gorda fazem mal. Recursos infinitos ou não, o certo é que mina-los é tóxico nem que seja só para as populações imediatas, criando todo o tipo de problemas de saúde pública. No entanto duvido completamente que tais taxas venham a fazer alguma coisa de bom, especialmente para o consumidor. Não há garantias que o valor taxado seja usado na educação e adoção de políticas que permitam ao consumidor preferir comidas ditas saudáveis. O consumidor não é burro. É descuidado e quer satisfazer-se. Tais taxas só servem para aumentar o preço dos produtos, que tira dinheiro que poderia ser usado noutras coisas e ainda afetam a demanda e os salários dos produtores. Se forçam o consumidor a não comprar coisas sem muito sal, em vez de educar os produtores e o comércio a produzir saudavelmente, o que vai acontecer é que os produtores vão ter o seu trabalho e salário comprometido. Infelizmente, se querem ajudar o moço pobre a produzir sapatilhas na Tailândia, têm de comprar as sapatilhas feitas pelo moço. Não comprar, vai afetar o seu trabalho e por consequência piorar as condições de trabalho. Infelizmente, somos impotentes, mas a melhor esperança para o moço é certificar que ele mantém as condições e que as políticas da Tailândia permitam, no mínimo, fazer a vida mais fácil a quem está nesta situação. Porque se o moço não recebe o seu salário, algo ainda pior o espera e à sua família.
O mesmo acontece ao se aplicar taxas atrás de taxas em nome do ambiente, em vez de investir em obras públicas reais. Em vez disso, temos o equivalente de “Projetos” no ambiente. Querem aumentar o número de legumes e soja para bem do ambiente, entretanto em África, território que antes era de tigres, leões e elefantes, pertence agora a plantações de soja, enquanto as espécies morrem. Mais um exemplo primário de só verem o que tem à frente em nome das boas intenções.
Al Gore prometeu-nos que as tecnologias amigáveis do ambiente estariam mais baratas e mais acessíveis e no entanto, mantém-se entre as mais caras. É preciso mais incentivo, não investimentos vazios ou cortes.
Máquinas e outros assuntos para concluir
Hazlitt ainda debate o alarmismo das máquinas substituírem o homem. Concordo com ele a bom ponto, pois máquinas aumentam produção do produto, mas alguém as tem de manter e construir, por isso abre oportunidades noutros sítios. No entanto, máquinas estão cada vez mais inteligentes e literalmente e só necessitam de supervisão, o que pode trazer mais pessoal para o banco de suplentes. Porém, é totalmente retardado pensar que uma economia progressiva é aquela que tem montes de pessoas com sacos às costas, porque isso é que dá ao Homem que fazer e mantém os ordenados, o que é pura falácia. Desde a nossa génese, nós criámos métodos para facilitar e aumentar produção e qualidade de vida. Precisámos de luz, descobrimos o fogo. Precisámos de cobrir longas distâncias, descobrimos a roda. Evolução tem, até hoje, permitido mais trabalhos e um grande crescimento da população. Agora com a corrida ao espaço, expansão é inevitável incluindo necessidade de mais mão de obra.
Conclusão
Se são totalmente novatos no que cabe à economia, Economia numa só lição é o manual de iniciante a ter. Se são veteranos, muito provavelmente já o leram ou estão estabelecidos o suficiente mais para a direita ou para a esquerda, por isso não devem ter nada de novo. Logo no início, o autor mostra-se intelectualmente honesto, apontando os objetivos da obra e só depois focar-se na sua especialidade. Mesmo para alguém que está, pelo menos, a par do que o governo anda a fazer, não estará a ler nada de brilhante, mas a forma como os exemplos são apresentados e convence o leitor a pensar no grande quadro, permite olhar as notícias com mais atenção e detetar quando boas intenções estarão ultimamente a afetar toda a comunidade.
Economia é como filosofia, é controversa e está aberta ao debate. Opiniões não faltam e ver um socialista e o capitalista às turras é como ver um Criacionista e um Cientista. Ao início promete, mas depois torna-se numa guerra de palavras e definições onde conversão tem prioridade à razão. Qualquer que seja a profissão original, acabam como dois advogados.
Porém, a verdade é que os tempos mudaram, e apesar desta obra ser aplicável no presente, os dados e estatísticas estão sempre a mudar, mas acho óbvio que o ciclo político é sempre o mesmo. Por mais que Hazlitt queira que os erros do passado não se voltem a repetir, eles são inevitáveis e temos de ter o discernimento a todo o custo para manter a ordem democrática e lembrar que um país não é só o partido que está no poder. show less
In the current economic crisis our country is facing I felt a need to self-educate in the realm of economics, having been tragically failed by the sorry excuse for an education in economics that I received at my public high school in 12th grade. I didn’t want a book that pitted me for or against any certain current politician but rather weighed economic philosophies against each other on a rational level in an easy to read format so I figured a book written over 50 years ago would be safe show more from mentioning current politicians. As I have read through it, it has been remarkable to see how closely the situations we are seeing played out today were delineated and discussed in the book, almost as if it was written for today... I suppose it was written for today as much as it was written for 1946 because the principles of free market economics are just as true as they were a few thousand years ago and as true as they will remain into the future. Likewise the fallacies that so many politicians have historically embraced and continue to embrace are just as false and doomed to failure as they have ever been. This book fulfilled my non-partisan (non-name-mentioning) mandate quite well. This book is wonderful and easily digestible, not boring at all. I’m only half-way through it but it is so easy to read and makes such good sense that I want to pass it on. show less
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