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Manuel Antônio de Almeida (1831–1861)

Author of Memoirs of a Militia Sergeant: A Novel

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Image credit: Domínio Público

Works by Manuel Antônio de Almeida

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Canonical name
Almeida, Manuel Antônio de
Legal name
Almeida, Manuel Antônio de
Birthdate
1831-11-17
Date of death
1861-11-28
Gender
male
Occupations
journalist
art teacher
writer
Nationality
Brazil
Places of residence
Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil
Burial location
Macaé, Brazil
Associated Place (for map)
Brazil

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Memórias de Um Sargento de Milícias é talvez das primeiras incursões do malandro e da malandragem (cariocas, naturalmente) na literatura brasileira. Em uma época onde o romantismo e a visão idealizada da nação, tal qual em O Guarani, efervescia, surge uma crônica de costumes satírica.
Diz o prefácio do meu livro, e aí me falta gabarito pra descrer da tese original do cabra, que o livro tem um pano de fundo político muito claro. Publicado em capítulos na Pacotilha, versão bem show more humorada do Correio Mercantil, o livro seria na realidade uma crítica liberal aos conservadores, expondo a época de Dom João como uma época de figuras toscas e corruptas, como bem exemplificada pelo simpático Leonardo Pataca.
Pataca é um meirinho (oficial de justiça), classe essa que gozava de bastante poder na época. Ele é o pai do protagonista, também Leonardo, e vive se enrolando por amor, sendo inclusive preso na casa duma cigana (rituais eram proibidos na época). Desde tempos imemoriais, as forças policiais do país fiscalizam a fé alheia, cês vejam. Ele acaba expulsando o filho de casa em meio aos seus problemas conjugais (sua mulher trai ele) e Leonardo vai morar com o padrinho, um barbeiro, homem de bem que põe muita fé nele e por acaso desviou uma soma gigantesca de grana pra si. Todo mundo é meio malandro bandido, meio espertinho, e apesar das falas de época, tem um quê de Rio de Janeiro ali já. E o livro é de fato engraçado, coisa que sempre surpreende dada a idade.
Como o livro era publicado semanalmente, os capítulos geralmente acabavam sendo histórias pequenas e isoladas, pra fisgar o leitor mas não afastar completamente quem não acompanhava frequentemente. E nessas historietas se desenvolve uma gama de personagens, a velha rica viciada em processos judiciais, o major Vidigal, temor dos malandros e que literalmente recruta bandidos como punição, e alguns membros próximos à corte. Isso tudo se encaixa, diz a tese supracitada, em um pano de fundo no qual as origens dos vícios da sociedade brasileira vem desde a época de Dom João, e que portanto expõe as teses conservadoras como furadas. É maneirinho, mas não sei se tenho muito mais pra dizer.
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"Era no tempo do rei". Assim começa o romance de Manuel Antônio de Almeida. O rei, no caso, é uma referência a D. João VI, que viveu no Rio de Janeiro, Juntamente com a corte portuguesa, entre !*08 e 1821. "Memórias de um Sargento de Milícias" acompanha a vida e as desventuras de Leonardo, desde sua infância, quando foi abandonado pelo pai, até a idade adulta, fase na qual se envolve em diversas confusões, muitas delas motivadas por mulheres. A narrativa é bem humorada, e os show more personagens - longe de serem discriminados entre mocinhos e vilões - exibem virtudes e defeitos. show less
Manuel Antônio de Almeida foge completamente ao idealismo romântico de sua época. Se há traços românticos em sua obra, estão no tom irônico e satírico que assume o narrador. Nos estudos sobre a obra, houve uma linha de interpretação que seguiu Mário de Andrade e classificou o romance como uma manifestação tardia do “romance picaresco”, gênero popular espanhol medieval dos séculos XVII e XVIII. O gênero picaresco – do qual o mais ilustre representante é o romance show more Lazareto de Tormes – caracteriza-se por narrar, em primeira pessoa, os infortúnios de um pícaro, um garoto inocente e puro que se torna amargo à medida que entra em contato com a dureza das condições de sobrevivência. Por isso procura sempre agradar seus superiores. O pícaro tem geralmente um destino negativo, acaba por aceitar a mediocridade e acomodar-se na lamentação desiludida, na miséria ou num casamento que não lhe dá prazer algum. Nenhuma dessas características, porém, está presente em “Memórias de um Sargento de Milícias”. Leonardo não é inocente. Ao contrário, parece já ter nascido com “maus bofes”, como afirma a vizinha agourenta. É mais apropriado, por isso, classificar essa obra como um “romance malandro”, de cunho satírico e com elementos de fábula. Esse gênero frutificará em vários romances posteriores, como Macunaíma e Serafim Ponte Grande. Ambos muito inferiores, esteticamengte falando. show less
Jan 22, 20196 other reviewsPortuguese (Brazil)

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