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Chico Buarque

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Series

Works by Chico Buarque

Budapest (2003) 561 copies, 13 reviews
Spilt Milk (2009) 318 copies, 5 reviews
Turbulence (1991) 226 copies, 4 reviews
Chapeuzinho Amarelo (2007) 174 copies, 6 reviews
My German Brother (2014) 160 copies, 4 reviews
Benjamin (1995) 108 copies, 3 reviews
Os Saltimbancos (1999) 90 copies, 4 reviews
Essa Gente (Em Portugues do Brasil) (2019) 64 copies, 2 reviews
Calabar (Em Portuguese do Brasil) (1971) 61 copies, 3 reviews
Gota d’água (1992) 60 copies, 2 reviews
Anos de chumbo e outros contos (2021) 32 copies, 1 review
Bambino a Roma (2024) 21 copies
Tantas Palavras (2006) 19 copies
Chico Buarque (1985) 10 copies
Construcao (1990) 8 copies
Chico Buarque de Hollanda (2010) 7 copies
A Banda (2017) 4 copies
Meus Caros Amigos (1900) 4 copies
Sinal Fechado (2010) 4 copies
Vida (2010) 4 copies
Ces gens-là (2019) 3 copies
Paratodos 2 copies
Cinema 2 copies
Perfil 2 copies
Chico Canta (Calabar) (2006) 2 copies
Chico (1999) 2 copies
As Cidades (2010) 2 copies
Roda Viva 1 copy, 1 review
Desafinado 2 1 copy, 1 review
O Cronista 1 copy
Valsinha 1 copy, 1 review
O Politico 1 copy
Na Carreira 1 copy
Favourites 1 copy
Cacada; Calice 1 copy, 1 review
Para Todos (1994) 1 copy
MPB no JT 1 copy
Batidores 1 copy
CARIOCA 1 copy
Caravanas 1 copy
O Amante 1 copy
Fados 1 copy

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Poets in New York — Contributor — 1 copy

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57 reviews
Auto-retrato falado

Venho de um Cuiabá garimpo e de ruelas entortadas.
Meu pai teve uma venda de bananas no Beco da
Marinha, onde nasci.
Me criei no Pantanal de Corumbá, entre bichos do
chão, pessoas humildes, aves, árvores e rios.
Aprecio viver em lugares decadentes por gosto de
estar entre pedras e lagartos.
Fazer o desprezível ser prezado é coisa que me apraz.
Já publiquei 10 livros de poesia; ao publicá-los me
sinto como que desonrado e fujo para o
Pantanal onde sou abençoado a garças.
Me
show more procurei a vida inteira e não me achei – pelo
que fui salvo.
Descobri que todos os caminhos levam à ignorância.
Não fui para a sarjeta porque herdei uma fazenda de
gado. Os bois me recriam.
Agora eu sou tão ocaso!
Estou na categoria de sofrer do moral, porque só
faço coisas inúteis.
No meu morrer tem uma dor de árvore.
show less
Um homem muito velho está num leito de hospital. Membro de uma tradicional família brasileira, ele desfia, num monólogo dirigido à filha, às enfermeiras e a quem quiser ouvir, a história de sua linhagem desde os ancestrais portugueses, passando por um barão do Império, um senador da Primeira República, até o tataraneto, garotão do Rio de Janeiro atual. A fala desarticulada do ancião cria dúvidas e suspenses que prendem o leitor. O discurso da personagem parece espontâneo, mas o show more escritor domina com mão firme as associações livres, as falsidades e os não ditos, de modo que o leitor pode ler nas entrelinhas, partilhando a ironia do autor, verdades que a personagem não consegue enfrentar. Tudo, neste texto, é conciso e preciso; como num quebra-cabeça bem concebido, nenhum elemento é supérfluo. Percorre todo o livro a paixão mal vivida e mal compreendida do narrador por uma mulher. Os múltiplos traços de Matilde, seu "olhar em pingue-pongue", suas corridas a cavalo ou na praia, suas danças, seus vestidos espalhafatosos, ao mesmo tempo que determinam a paixão do marido e impregnam indelevelmente sua lembrança, ocasionam a infelicidade de ambos. Embora vista de forma indireta e em breves flashes Matilde se torna, também para o leitor, inesquecível. Outras figuras, fixadas a partir de mínimos traços, circulam pela memória do protagonista: o arrogante engenheiro francês Dubosc; a mãe do narrador, que, de tão reprimida e repressora, "toca" piano sem emitir nenhum som; a namorada do garotão com seus piercings e gírias. É espantoso como tantas personagens ganham vida neste breve romance. Leite derramado é obra de um escritor em plena posse de seu talento e de sua linguagem. show less
Estava com esse livro aqui desde minha última viagem ao Rio em que encontrei essa edição por cinco reais (!!!) num sebo em Copacabana, então achei a data em que Chico completa 75 anos oportuna para lê-lo.
Considero Chico um dos nossos maiores poetas/compositores, mas nunca dei muita bola para seus romances/novelas, na verdade Leite Derramado foi o melhor livro que li dele, o melhor engajamento narrativo, a melhor transição entre o trágico e o cômico, até mesmo um esgar de show more genialidade dá pra entrever aqui. show less
Sabe aqueles livros que te dão vontade de escrever um livro? Estorvo é assim, o que é bem curioso porque sempre virei o nariz para a prosa do Chico Buarque, digamos que até então eu estava lendo os livros errados, esse aqui é obra-prima.
Acho que o ponto de confluência aqui é de como o Chico Buarque escreve o livro como se fosse um caderno de sonhos - quem faz análise sabe o quanto é bom ter um caderno de sonhos - isso aproxima o leitor de uma escrita do possível, onde justamente show more tudo é possível, isso aproxima mais Estorvo do surrealismo do que do fluxo de consciência.
Antes de ler o livro achava que o Jabuti de livro do ano fora dado só porque o autor era o Chico Buarque, depois entendi que foi merecido.
Agora resta ver a adaptação do Ruy Guerra, mais um livro infilmável pra sua coleção que está completando 25 anos esse mês.
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